
30 de julho de 1997
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O capitão da guerrilha Lamarca
revela a trajetória de um dos principais líderes da luta armada no Brasil
São raros os casos na história do cinema nacional em que um ator
tenha incorporado com tanta perfeição um personagem como Paulo Betti, na
época em que ele viveu o líder guerrilheiro Carlos Lamarca, dirigente da
extinta Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Depois de perder 13 quilos
para ficar fisicamente parecido com o capitão rebelde, que desertou do
Exército para abraçar as causas revolucionárias, Betti assumiu com
fidelidade seus modos austeros. O perfeccionismo foi tanto que o ator
chegou a aprender até a caligrafia do capitão. A atuação de Betti é o
principal destaque de Lamarca, filme de Sérgio Rezende, atração da
próxima semana da série ISTOÉ - cinema brasileiro.
Quando
foi lançado em 1994, Lamarca causou grande polêmica por retratar
com contundência a trajetória heróica de um dos ícones dos anos de chumbo
brasileiros. Sua exibição chegou a ser ameaçada. O general da reserva
Nilton Cerqueira - atual secretário da Segurança Pública do Rio de Janeiro
- tentou, sem sucesso, promover uma apreensão das cópias sob a acusação de
que a história denegria a imagem do Exército brasileiro. O então
comandante Cerqueira - que inspirou o personagem encarnado por José Abreu
- foi quem comandou o cerco militar que resultou na morte de Lamarca no
interior baiano.
As tentativas de proibição, no entanto,
aumentaram a curiosidade em torno de Lamarca, que se tornou
um grande sucesso de bilheteria e acabou sendo o estopim da decantada
retomada do cinema brasileiro. Ideologias à parte, o diretor realizou um
trabalho comovente que inicia com a conversão do carismático militar às
fileiras esquerdistas. Foi durante uma missão no Canal de Suez, em 1956.
Incomodado com a miséria na região, ele começa a refletir sobre as
diferenças sociais. De volta ao Brasil, se desencanta com os rumos do
País. É nesta ocasião, numa conversa com o pai, que Lamarca diz a frase
emblemática: "Sempre quis ser soldado, mas mudo de exército se o nosso
passar para o lado dos exploradores." Determinado, e principalmente
sonhador, o capitão guerrilheiro é realmente um personagem apaixonante. Ao
registrar sua trajetória, Sérgio Rezende concebeu um dos grandes épicos do
cinema nacional.
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