publicidade
Portal
Campeão!
De Olho no Dinheiro
Diversão e Arte
Esoterismo
Guerra no Iraque
Horóscopo
Novos Conceitos
Tecnologia
Tudo Sobre...
Vestibular
Últimas
Populares
Fórum
Jornal
Capa
Brasil
Ceará
Charge
Colunas
Economia
Esportes
Fortaleza
Há 30 Anos
Há 50 Anos
Internacional
Opinião
Política
Vida e Arte
Allmanaque
Buchicho
Ciência e Saúde
Clubinho
Jornal do Leitor
People
Turismo
Veículos
Comercial O POVO
Fale com a gente
Pesquisa
Pesquisa Histórica
AM do Povo
Calypso FM
Maxi Rádio
Carnaval 2002
Carnaval 2003
Casa Cor
Cine Ceará
ClickLab
Copa 2002
Edições D. Rocha
Eleições 2002
Fortal 2002
Festival Vida & Arte 2003
F. Demócrito Rocha
Retrospectiva 2002
Nordestão 2002
Sem Limite 1
Sem Limite 2
Política Fortaleza,
POPULARIDADE
''O governo do PT precisa correr risco''

Deputado estadual pelo PT da Bahia, professor, jornalista e escritor, Emiliano José da Silva, classifica o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) de ''ditadorzinho'', que cresceu à sombra da ditadura militar

Plínio Bortolotti e Valdemar Menezes
da Redação


Para o deputado estadual Emiliano José, do PT baiano, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), é um ''serial fraudulent'', um fraudador em série (Foto: Alcebíades Silva)

[24 00h17min]

Professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Emiliano José da Silva Filho é também deputado estadual do Partido dos Trabalhadores baiano. Militante político desde a juventude, integrou a Ação Popular, organização guerrilheira que enfrentou a ditadura militar, instalada em no Brasil em 1964. Preso em 1970, depois de viver um período na clandestinidade, foi libertado quatro anos depois.

Como jornalista, atuou na Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, O Estado de S. Paulo, O Globo, e nas revistas Afinal e Visão. No período da ditadura colaborou com os jornais alternativos Opinião e Movimento - e foi um dos fundadores do Em Tempo. Atualmente, escreve artigos para a revista Caros Amigos.

Autor de seis livros, entre os quais Lamarca, o Capitão da Guerrilha (em parceria com o jornalista Oldack Miranda, que terá sua 16ª edição lançada brevemente) - no qual foi baseado o filme Lamarca -, Emiliano também é um teórico na área da comunicação, habilidade que demonstrou no livro Imprensa e Poder: Ligações Perigosas.

Recentemente, quando esteve em Fortaleza para o lançamento de seu mais recente livro As Asas Invisíveis do Padre Renzo - no qual conta a história do sacerdote italiano que confortava os presos políticos no período da ditadura militar brasileira -, Emiliano deu ao O POVO a entrevista que se segue.


O POVO - O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) envolveu-se em mais caso de repercussão nacional, que foi a escuta clandestina de telefones de centenas de pessoas na Bahia, supostamente a mando dele. É verdade ou exagero quando se diz que nada que acontece na Bahia sem que haja o dedo de ACM?
Emiliano José - Exagero haveria na subestimação dessa afirmação, porque tudo o que se disser com relação à tentativa de controle da vida baiana pelo (senador) Antonio Carlos, será pouco. Eu fiz um longo discurso nesses dias na Assembléia Legislativa (da Bahia), em que eu digo que o Antonio Carlos é um personagem típico da América Latina, dos pequenos ditadores latino-americanos. Ele tem aspectos assemelhados muitos fortes com o personagem Rafael Trujillo (que foi ditador da República Dominicana), do livro A Festa do Bode, do (escritor peruano) Mario Vargas Llosa. O livro traça um retrato da República Dominicana, que é um retrato da Bahia: aeroportos, estradas, ruas - tudo tem o nome de Antonio Carlos. Ele é um ditadorzinho, um sujeito que fez a sua vida política à sombra, apoiando e participando da estruturação do golpe militar. O prestígio político dele foi construído, basicamente, no período da ditadura militar. É importante lembrar isso: ele foi prefeito biônico em Salvador, em 1967, nomeado pelos militares; depois foi governador nomeado, de 1971 a 1975; e reassumiu o governo na mesma situação entre 1979 e 1983. Só foi eleito uma única vez (a cargo executivo), em 1990, com uma diferença para a oposição de 0,3% dos votos. No caso do Brasil, ele é parte dessas oligarquias regionais coronelísticas, que estão no fim. Essa era, mesmo dos coronéis urbanos, está no fim. Daqueles antigos coronéis rurais, Antonio Carlos mantém a prepotência, a arrogância, a utilização do aparato público para enriquecimento pessoal, a distribuição das benesses da retirada de dinheiro público para a sua parentela. O Antonio Carlos tem diversos dutos que irrigam o patrimônio familiar constantemente. Eu sou vítima de quatros processos (judiciais) por parte do carlismo, por conta dessas denúncias que eu tenho feito, sobretudo por conta do 'duto publicitário', que sai do Estado e das prefeituras ligados ao carlismo e vai para o bolso da família Magalhães na Rede Globo de lá (da Bahia).


OP - Mas e quanto ao grampo?
Emiliano - O grampo é parte dessa visão totalitária do Antonio Carlos. Ele não se contenta em ter o governador do Estado, que é sempre um títere dele, e ele então passa a ouvir as pessoas, botar gente para ouvir adversários políticos, e grampeia também a ex-amante - que num momento de maior humanidade dela se apaixona por um rapaz -, e o Antonio Carlos não admite isso. Passou a cometer toda a sorte de violência contra o rapaz e a perseguir o casal. Ele constituiu uma espécie de ''Big Brother'' baiano, a violentar a cidadania do povo da Bahia. O Antonio Carlos é um serial fraudulent, um fraudador em série. Ele fraudou a eleição de senador em 1994 (na Bahia). O Waldir Pires (deputado federal pelo PT-BA), obviamente foi eleito, mas o Antonio Carlos colocou lá um cidadão desconhecido como senador, o Waldeck Ornéllas, que na Bahia é conhecido como ''Fraudeck Ornéllas''; fraudou depois o painel do Senado e, agora, fraudou sentença de juiz para fazer os grampos na Bahia.


OP - O senhor acha que a atuação do PT tem sido correta neste caso?
Emiliano - O PT está fazendo exatamente o procedimento que foi adotado no caso do painel do Senado. É o partido que tem de fazer isso; o governo não pode ficar dizendo ''casse fulano, casse sicrano''. Não há nenhuma vacilação no PT quanto à necessidade de cassar esse cidadão. Agora, é verdade que está havendo um certo cuidado, é preciso ter indícios absolutamente sólidos para garantir que ele não fique impune. Nós não podemos chegar ao Conselho (de Ética do Senado) fracos, e, de repente, o Conselho avaliar que não há nada contra ele.


OP - Como o senhor avalia essa queda, observada em pesquisa, na popularidade do governo?
Emiliano - Eu avalio como absolutamente natural. Primeiro, quando você pega aquilo que os institutos (de pesquisa) costumam chamar de margem de erro, está quase dentro dessa margem. É difícil manter os níveis altos de popularidade com o volume de desafios que há pela frente, com a expectativa que se cria com o governo Lula. O importante para o governo é ter rumo, é saber o que quer, é definir as sua prioridades. E isso definido, (é preciso) correr o risco até de perder popularidade, se a linha de atuação corresponder às necessidades mais estruturais do país, e que tenha como objetivo melhorar a vida do povo brasileiro.


OP - O Lula foi eleito para realizar mudanças no modelo econômico. No entanto, está havendo um certo receio pela forma como a área econômica do governo está realizando o que seria o processo de transição. O sr. acha que há um prazo para essa mudança?
Emiliano - Eu não estou no comando do governo. Sou deputado do governo, sou defensor do governo, militante do PT, portanto defendo o governo. Mas eu também observo as coisas e tenho obrigação de analisá-las e discuti-las. Eu considero que essas preocupações são justas. Eu também tenho as mesmas expectativas e ansiedade para que se faça a virada de rota. Eu faço parte do bloco hegemônico do PT, ligado à corrente majoritária (Articulação, a mesma tendência do presidente da República), mas entendo que é absolutamente essencial compreendermos que nós não podemos fundar a nossa rota em uma linha de continuidade (do governo anterior). Mas entendendo que é preciso muita sensibilidade e capacidade na condução da economia neste momento, para que não ocorresse o desastre anunciado. Então, era fundamental, se ter a capacidade para, ao menos, compreender o ''monstro'' e ir caminhando para enfrentá-lo. Eu chamo de ''monstro'' o mercado.


OP - O sr. acha que esse é o melhor caminho?
Emiliano - Eu acho. Porque, veja, se nós enveredássemos pelo caminho da ruptura imediata. Digamos, se tivéssemos baixado (a taxa básica) dos juros para 15%, o que teria acontecido neste país? Onde é que nós estaríamos com a situação marcoeconômica? O que teria acontecido com o dólar? O que teria acontecido com as bolsas? Se uma fuga incessante de capitais ocorresse? Nós lidamos com um mundo financeirizado, hoje, e esse é o nosso drama, dilema e problema. Nós lidamos com o capitalismo da bolha financeira e nós temos de conviver com isso e trabalhar com essa realidade para fazer mudança de rota. Qual é o momento de se fazer a mudança? Vai haver um ''momento x''? Vai se fazer a curva de maneira lenta? Eu não sei.


OP - É realmente é certo se começar pela reforma da Previdência e não pela tributária, como querem alguns setores sociais, e mesmo dentro do próprio PT? E essas reformas, são as mesmas que eram discutidas no governo Fernando Henrique Cardoso?
Emiliano - Eu não creio que as reformas propostas pelo governo Lula sejam simples continuidade das que existiam sob o governo Fernando Henrique. Tanto não o são que há uma atitude verdadeira do governo de discutir de maneira ampla com a sociedade. ''Mas o governo não tem um proposta'', criticam alguns. Mas é bom que não tenha uma proposta fechada, porque tem que discuti-las. A reforma da Previdência e a tributária vão caminhar simultaneamente. A da Previdência mexe mais com a população e com as camadas médias. A Previdência precisa de um sistema único, mas não é possível agredir os direitos adquiridos, e o próprio ministro da Previdência (Ricardo Berzoini) já disse isso. Mesmo porque essa é uma questão legal, que, se houvesse alteração, provavelmente o governo perderia na Justiça.


OP - Recentemente o presidente Lula reclamou das agências reguladores e o próprio PT avalia que o governo perdeu instrumentos de gestão com as privatizações. Mas ao mesmo tempo há um projeto do governo de dar autonomia ao Banco Central. Isso não revela uma contradição, já que o BC é um instrumento importante de gestão?
Emiliano - Nós tivemos um conversa em Salvador com Nelson Pellegrino (líder da bancada do PT na Câmara) e ele nos disse que essa não é uma questão tão simples, inclusive (de ser aprovada) na bancada do PT. O Pellegrino disse que não se trata de uma autonomia como está sendo divulgada, mas ele mostrou ao comando do governo que não era uma questão que a bancada do PT engoliria, assim ''mandou, está resolvido''. Por isso trancou um pouco (a discussão). O debate que está sendo feito são os termos (o grau de autonomia) com que se pretende trabalhar.


OP - Algumas pessoas estão se perguntando se vai acontecer com o Lula o que ocorreu com Fernando de la Rua (ex-presidente da Argentina), que foi eleito para mudar alguma coisa e terminou prisioneiro de um sistema que não permitiu as mudanças que a população queria.
Emiliano - Essa é uma ótima provocação e deve existir permanentemente. Porque, ao sermos provocados, temos de reagir. E temos a felicidade, que não tinha a Argentina, de termos um partido muito amplo. O grande partido é o PT, que tem nervos, tem base, tem reações, todo mundo no partido tem de se explicar - e isso é positivo. O José Dirceu (ministro-chefe da Casa Civil), vai lá (nas reuniões do partido) e toma porrada, as críticas são duras. Então, a diferença com a Argentina é que lá não havia partido, aqui há partido, muito vivo, muito ''chato'' até, muito dinâmico, que pressionaria caso essa hipótese existisse. Eu acho que a sociedade brasileira tem uma dinâmica que não permitirá, e temos um partido que não permitirá isso, se essa hipótese existisse. Além do que eu acho que o Lula - a política também tem o lado do indivíduo - tem um compromisso visceral com o povo brasileiro.

últimas

Política
19:04 TSE nega nova liminar a Gratz

28
 
Política
21:01 Lula e Wolfensohn discutem apoio do Bird neste sábado

27
 
Política
15:06 Propostas das reformas antecipadas para abril

Política
14:35 Senado homenageia mulheres

26
 
Política
20:45 Senado aprova indicações para três embaixadas

clima
São Vicente - SP
         Mín: 24ºC
         Máx: 29ºC

webmail
Digite login:
Digite senha:
Não tem Webmail do NoOlhar?
inscreva-se grátis!
Esqueceu a senha? Clique Aqui!
  Política de Privacidade   Aviso Legal   Publicidade Online   Faça desta sua Home   Contato
© Copyright 2001 Noolhar.com Todos os direitos reservados Produzido por ClickLabClickLab