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Nº
10– Junho/2003 - Fones (071) 370-7139/370-7073
Fax 370-4093
Liberdade
religiosa
Audiência
pública condena agressões ao candomblé
Organizado
pela Cecad, pela primeira vez em um terreiro de candomblé,
o ato foi um manifesto contra à intolerância religiosa
Principais
alvos de ataques de bispos e pastores evangélicos,
os adeptos das religiões afrodescendentes tiveram
na noite de sexta-feira, 16/05/2003, mais um ato de
solidariedade e defesa de suas tradições. Pela primeira
vez, a Comissão Especial para Assuntos da Comunidade
Afrodescendente da Assembléia Legislativa da Bahia
(Cecad), realizou Audiência Pública em um terreiro
de Candomblé, para discutir a intolerância religiosa.
A audiência foi convocada para manifestar repúdio
ao acirramento das campanhas contra as religiões de
origem africana, promovidas pelas Igrejas Universal
do Reino de Deus, Internacional da Graça de Deus e
Deus é Amor. Além de cultos televisivos ofensivos
e panfletos pejorativos distribuídos por evangélicos,
atualmente também vêm ocorrendo agressões físicas
e morais diretas, segundo denúncias apresentadas durante
a audiência.
O
evento ocorreu no Terreiro Tumbenci, localizado no
bairro Tancredo Neves, em Salvador, e teve a presença
de Geurena Passos Santos, Yalorixá do terreiro Tumbenci,
Eldon Araújo Lage, ogã do Terreiro São Roque, Raimundo
Konmannanjy, presidente do Associação Cultural de
Preservação da Nação Bantu (ACBANTU), Celeste
Alcântara Arruda, Yalaxé do Terreiro São Bento, e
o deputado estadual Álvaro Gomes (PCdoB-Ba), membro
titular da Cecad. A cerimônia foi dirigida pelo deputado
estadual Emiliano José (PT-BA), que atualmente preside
a Comissão.
ACONTECIMENTO
INÉDITO
A
proposta de realizar a audiência pública em uma casa
de candomblé tem um profundo significado, na avaliação
de Emiliano José. "Estamos inaugurando uma nova
maneira de fazer audiências públicas. É uma nova forma
da Assembléia Legislativa da Bahia encarar a luta
contra a intolerância religiosa". Ao levar um
evento dessa natureza para um terreiro, o deputado
diz que a Cecad pretende destacar sua posição
em favor da convivência entre religiões de maneira
harmônica. "Podemos ir a outras casas religiosas,
mas fizemos questão de vir primeiro a um terreiro
para dizer de nossa solidariedade aos nossos irmãos
do candomblé", diz.
O
deputado classifica de criminoso o recrudescimento
da campanhas contra o culto aos orixás. "O candomblé
tem todo direito sagrado e legal de acreditar e persistir
nos seus fundamentos", afirma. Emiliano lembra
que foi dele a proposta de incluir na Constituição
do Estado da Bahia, promulgada em 1988, o reconhecimento
oficial do candomblé como religião com pleno direito
de culto. Durante seu mandato de vereador (2001 a
2002), Emiliano apresentou emenda ao orçamento da
Prefeitura de Salvador, pedindo aumento da verba orçamentária
destinada à melhoria dos terreiros, de R$ 50 mil para
R$ 500 mil, rejeitada pela base governista do
prefeito Antônio Imbassahy (PFL). Ainda como vereador,
Emiliano lutou para que a prefeitura realizasse melhorias
no Parque São Bartolomeu, um importante centro de
culto das religiões afrodescendentes, situado no bairro
do Pirajá.
Na
presidência da Cecad, o deputado pretende fazer com
que a comissão participe e articule, ao lado de outras
entidades representativas, movimentos de combate à
intolerância religiosa. Emiliano esclarece que, embora
não seja uma comissão ligada ao poder Executivo, com
orçamento próprio e recursos para promover ações
de beneficiamento direto aos terreiros, a Cecad pode
realizar um importante papel político nessa direção.
"Somos uma comissão voltada para defender os
interesses da comunidade negra na Bahia, no âmbito
da nossa atividade parlamentar, tanto da defesa, da
luta política, pela afirmação da cultura negra, pela
liberdade religiosa, pela igualdade racial".
Publicado
em A Tarde - 18/05/2003
Audiência pública sob a proteção de Ogum
Político, ogã e yalorixá ouvem
o que o povo pensa sobre a intolerância religiosa
Atabaques retumbam no meio da noite de sexta-feira
no bairro do Beiru. Ali, no sobe e desce das ladeiras
da periferia, surgem igrejas católicas, evangélicas
e dezenas de casas de candomblé. O canto em iorubá é
para Ogum. Não se trata, porém, de culto rotineiro do
Terreiro Tumbenci, mas do anúncio de uma audiência pública
inédita promovida pela Assembléia Legislativa, iniciativa
da Comissão para Assuntos da Comunidade Afrodescendente
(Cecad), realizada em solo sagrado de terreiro de candomblé.
Os membros da Cecad discutiram a intolerância religiosa.
Sobretudo aquela praticada pelos adeptos de Igreja Evangélica
contra os que seguem o candomblé. A Yalorixá do Terreiro
Tumbenci, Geurena Passos Santos, abriu a casa para a
discussão de estratégias contra o desrespeito dos evangélicos.
Participaram o presidente da Cecad, Emiliano José; Eldon
Araújo Lage, ogã do Terreiro São Roque; Celeste Alcântara,
yalaxé do Terreiro São Bento e Raimundo Konmannanjy,
presidente da Associação Cultural de Preservação do
Patrimônio Bantu.
ARMAS PARA LUTAR - "A Igreja Universal do Reino de Deus
é a que mais ataca, seguida da Igreja Internacional
da Graça de Deus", aponta Eldon Lage. Agora, o pessoal
do candomblé decidiu usar todas as armas para lutar
contra a intolerância religiosa dos evangélicos. E a
estratégia é a defesa, conclui a Cecad.
Deputado
critica orgia publicitária de governos
carlistas
com base em Parecer Prévio do TCE
O
deputado Emiliano José (PT) criticou dia 13 de maio, no
Plenário da Assembléia Legislativa, "a orgia
de gastos com publicidade nos governos de César Borges
e Oto Alencar", que gastaram 44 milhões 988 mil
406 reais somente no ano passado, dez milhões a mais
que em 2001, segundo o Parecer Prévio do Tribunal
de Contas do Estado (TCE), apresentado pelo conselheiro
Filemon Matos.
Emiliano
José chamou atenção para o Parecer Prévio do TCE que
destaca o "contínuo descumprimento da norma constitucional
que determina que na publicidade governamental não podem
constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem
promoção pessoal de autoridades e servidores públicos".
O Parecer também ressaltou uma Ação Popular do bloco
PT/PcdoB acatada pela juíza da 7ª Vara da Fazenda Pública,
contra o Estado da Bahia, jornal Correio da Bahia, agências
Propeg, Randam e SLA, "por abuso de aditivos contratuais
e pessoalidade na publicidade oficial".
Baianos
comemoram o Dia da Unidade Africana
Dentro
do programa de comemoração do Dia da Unidade Africana,
em 26 de maio, segunda-feira, às 19h, no Teatro Sesc-Senac
do Pelourinho, a Comissão Especial para Assuntos da Comunidade
Afrodescendente (CECAD), da Assembléia Legislativa e a
Fundação Cultural Palmares organizam uma Audiência Pública
sobre "40 anos da Unidade Africana, desafios e perspectivas".
O professor de literatura nigeriano, Femi Ojoade, será
o conferencista. Na ocasião, haverá lançamento do
25º número dos Cadernos Negros - Poemas Afro-Brasileiros.
Segundo o deputado Emiliano
José (PT), que é presidente da Comissão
Especial para Assuntos da Comunidade Afrodescendente,
o debate sobre o futuro da Unidade Africana interessa
ao Brasil e à Bahia em particular porque os caminhos da
África e do Brasil estão para sempre cruzados.
Fundação
Cultural Palmares promove:
II ENCONTRO SOBRE O NEGRO
NA UNIVERSIDADE E DIREITO À INCLUSÃO
Local:
Teatro Sesc-Senac, Pelourinho, Centro Histórico de Salvador
Dia 27
de maio -
9h
da manhã - Abertura oficial
Painelistas:
Tema Ensino Superior - O direito à inclusão
Naomar
Monteiro de Almeida Filho, Reitor da Universidade Federal
da Bahia
Ivete
Alves do Sacramento, Reitora da Universidade Estadual
da Bahia
Emiliano
José, professor doutor e deputado estadual (PT)
Zulu
Araújo, Diretor da Fundação Cultural Palmares
Valdenor
Cardoso, Vice presidente da Câmara Municipal de Salvador
Neuza
Maria Alves, juíza federal
Antônio
Carlos dos Santos Vovô, Fórum das Entidades Negras
Às
14h - Palestra: O direito à igualdade
Ministro
Carlos Alberto Reis de Paula, membro do Tribunal Superior
do Trabalho
Presidente
da Mesa: Promotor Lidivaldo Brito.
Às
16h30 Palestra: O negro na universidade: abordagem antropológica
Professor
José Jorge de Carvalho, Universidade de Brasília
Presidente
da Mesa: Profª Delcele Mascarenhas Queiróz, Uneb.
Dia
28 de maio
Às
9h palestra: O sistema de cotas e o direito de acesso
à universidade
Dra
Dora Lúcia de Lima Bertúlio, Procuradora Geral da Universidade
Federal do Paraná
Presidente
da Mesa: professor doutor Jocélio Teles, diretor CEAO/UFBa.
Às
14h palestra: Cotas, normas e procedimentos institucionais
Dr
Marcos Roberto Fuchs, diretor executivo do Instituto
Pro Bono
Presidente
da Mesa: Dr Mário Nelson Carvalho, presidente do Conselho
do Coletivo de Empresários Afro-brasileiros.
Às
16h palestra: Ações afirmativas, uma experiência que
deu certo
Embaixador
João Almino, diretor do Instituto Rio Branco/MRE
Presidente
da Mesa: Deputado Estadual e professor doutor Emiliano
José (PT)
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