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Boletim
nº 47 - abril/2004 – (71) 3115 7139/3115
7073 Fax 3115 4093
Assassino
foi julgado
Matador
de Natur condenado a 19 anos de cadeia
O deputado Emiliano José (PT), que acompanhou
em Feira de Santana o julgamento do ex-prefeito de Ubaíra
(PFL), Ivan Eça de Menezes, um dos assassinos
do professor Natur de Assis Filho, declarou que a sociedade
– amigos, familiares e agentes dos direitos humanos
– não pode descansar enquanto o criminoso
não estiver efetivamente na cadeia, já
que ele ficou em liberdade ao recorrer da sentença.
Mas considerou que o júri popular fez justiça
ao condenar o perigoso criminoso a 19 anos e três
meses de prisão, por unanimidade (sete a zero).
O deputado acredita que o Tribunal de Justiça
da Bahia, atualmente livre da influência nefasta
do carlismo, irá confirmar a sentença
do juiz Paulo Sérgio Barbosa.
Emiliano
José e o ministro Waldir Pires (CGU), depois
de prestigiarem no dia 14 de abril (quarta-feira) o
ato público de lançamento da Comissão
de Direitos Humanos da Seccional da OAB de Feira de
Santana, pernoitaram no Hotel Palace, com o objetivo
de acompanharem a abertura da sessão do júri,
às 8h30 do dia 15 de abril, no Fórum Felinto
Bastos. Logo cedo desembarcaram comitivas de moradores
de Ubaíra. Muitos chegaram na véspera,
para garantir lugar na sessão do júri
popular que julgou o matador do professor, ecologista
e presidente municipal do Partido Verde de Ubaíra,
Natur de Assis Filho. Também madrugaram o ministro
Nilmário Miranda, da Secretaria Nacional dos
Direitos Humanos e os deputados Yulo Oiticica, José
Neto e Lídice da Mata. À tarde, ao chegar
de Brasília, o deputado federal Nelson Pelegrino
compareceu.
Faltar
julgar Laurito, o outro assassino
As respostas do criminoso Ivan Eça de Menezes,
que foi condenado a 19 anos e três meses de prisão
pelo assassinato de Natur de Assis Filho, pareciam ensaiadas.
Confessou ter matado o presidente do Partido Verde de
Ubaíra, mas sempre ressaltava que seu irmão,
Laurito Eça de Menezes, estava afastado dele
quando disparou o rifle contra o coração
de Natur, à queima-roupa. Na verdade, dezenas
de testemunhas viram quando Laurito Eça de Menezes
segurou Natur pelas costas, enquanto seu irmão
Ivan Eça atirava.
No
momento em que o criminoso contava uma história
fantasiosa e contraditória perante o juiz Paulo
Sérgio Barbosa, o seu advogado, Tilson Santana,
chegou a se levantar e fazer constar dos autos que Laurito
Eça de Menezes estava de pijama ao se envolver
no crime naquela noite de 9 de março de 2001.
Está clara a estratégia: estando afastado
e de pijama não tinha responsabilidade no crime.
Apenas teria saído de casa às pressas
para “salvar” o irmão de ameaças.
Perante
a justiça, Ivan Eça de Menezes parecia
tomado de total amnésia. Não se lembrava
de quantas balas tinha no rifle. Negou que carregasse
outra arma, depois foi lembrado que portava também
um revólver na hora do crime. Esqueceu completamente
onde foram parar o rifle e o revólver. Não
convenceu. Agora, o esforço é para livrar
Laurito Eça de Menezes da cadeia. Afinal, alguém
tem que cuidar dos negócios da família,
fazendas, imóveis, postos de gasolina, tudo já
devidamente repassado em nome de laranjas.
Agricultura
familiar
Nova
entidade sindical realiza Congresso
O
deputado Emiliano José foi o conferencista sobre
a conjuntura política brasileira na abertura
do “I Congresso de Agricultura Familiar da Bahia”,
que reuniu de 14 a 16 de abril de 2004, no ginásio
de esportes do Sesi de Simões Filho, mais de
2.500 representantes dos pequenos agricultores de todo
o Estado. A nova entidade – Federação
dos Trabalhadores da Agricultura Familiar – FETRAF,
vinculada à CUT, nasce com a participação
de 1.200 associações, 12 cooperativas
de produção, cinco cooperativas de crédito
já constituídas, oito cooperativas de
crédito em processo de fundação
e pelo menos 146 sindicatos de trabalhadores rurais
(STRs) que rejeitam o tradicionalismo da FETAG e apostam
no fortalecimento de um novo sindicalismo rural.
O
texto básico distribuído pela coordenação
da FETRAF afirma que o Governo Lula carrega a responsabilidade
de ser a esperança dos trabalhadores, mas ressalva
que os últimos doze anos de Collor, Itamar Franco
e FHC, desastrosos para o país, deixaram uma
bomba de efeito retardado para o Governo Lula: juros
altos, dólar nas alturas, dívida interna
de R$ 900 bilhões, déficit nas contas
externas perto de 30 bilhões de dólares.
O texto também registra o fim do namoro da imprensa
com o Governo Lula com uma avalanche de “denúncias”
com o objetivo de barrar o avanço do PT nas eleições
municipais. “A elite não quer e não
vai permitir que governos populares avancem país
afora”, alerta o texto.
Feira
de Santana
Instalada
Comissão de Direitos Humanos
Em
concorrida sessão dirigida pelo presidente da
Subseccional da OAB em Feira de Santana, advogado Celso
Pereira, e com palestra do ministro Waldir Pires, da
Controladoria Geral da União (CGU), no auditório
do Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA),
foi instalada (14/04/2004) a Comissão de Direitos
Humanos da entidade, que será presidida pelo
advogado Almir Queiroz. De imediato, a Comissão
de Direitos Humanos vai garantir plantão de advogados
e estudantes de Direito, no Fórum Felinto Bastos,
para atender cidadãos vitimados pela violência
policial.
O líder da bancada do PT na Assembléia
Legislativa, Emiliano José prestigiou a cerimônia,
juntamente com os deputados José Neto e Valmir
Mota. O deputado Yulo Oiticica, presidente da Comissão
de Direitos Humanos da Assembléia, apresentou
um vídeo sobre tortura e morte na cadeia de Andaraí
e estimulou a participação na 9ª
Conferência Nacional de Direitos Humanos a se
realizar em junho próximo. O conselheiro Eduardo
Brandão compareceu em nome do presidente da OAB/Bahia,
Dinailton Oliveira; Romário Costa Gomes representou
a CDH da OAB/Bahia; o vereador Roberto Tourinho representou
a Câmara Municipal e Lúcia Miranda a Prefeitura
de Feira de Santana.
O
ministro Waldir Pires, ao observar que o Brasil se destaca
hoje no mundo por ter o maior índice de homicídios,
afirmou que a sociedade não pode mais ser complacente
com as violações de direitos humanos,
com autoridades que fecham os olhos. “Este é
o desafio contemporâneo para a construção
da civilização”, destacou. Ao ato
também compareceram D. Kátia Assis, mãe
do professor Natur de Assis Filho e os advogados João
de Melo Cruz e Augusto de Paula, assistentes da acusação
no julgamento do assassino de Natur de Assis Filho,
marcado para o dia seguinte, 15 de abril.
Igualdade
racial
Ação
afirmativa pode virar lei federal
Em
visita ao Reitor da Universidade Federal da Bahia, Naomar
de Almeida Filho, a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria
Especial de Políticas de Promoção
para a Igualdade Racial (SEPPIR), afirmou ser intenção
do Governo Lula transformar em Projeto de Lei a instituição
de cotas e outras ações afirmativas como
forma de promover a igualdade racial de forma mais definitiva.
Os deputados Nelson Pelegrino e Emiliano José
presenciaram o encontro na Reitoria da UFBA em 12 de
abril de 2004. Emiliano José, que apóia
o programa de cotas para negros nas universidades, elogiou
a iniciativa da ministra em promover o debate.
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