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Galeria F – Lembranças do Mar Cinzento (XXX)

Emiliano José*

Luís Contreiras iniciou-se sua militância nos anos 40, quando chegou ao Colégio da Bahia – mais tarde Colégio Central. Antes, foi um católico militante. Coroinha em Rio de Contas, congregado mariano em Salvador, tornou-se comunista logo depois, ainda adolescente. “Abri dissidência com Deus e ingressei no PC”, costuma brincar. Tanto a igreja como o PCB eram verdades absolutas, e Contreiras acabou optando pelo PCB. D. Avelar Brandão Vilela, arcebispo de Salvador, costumava repetir, quando o visitava na prisão, que a Igreja havia “perdido um grande bispo”. Contreiras contou a D. Avelar que durante algum tempo, na adolescência, pensou em ingressar no seminário e tornar-se sacerdote.

Nasceu em Mundo Novo, mas muito cedo os pais foram para Rio de Contas. Tornou-se engenheiro em 1947, já então militante do PCB. No ano seguinte, sentiu o sabor da prisão. Foi durante a preparação de um comício organizado pelo partido em fevereiro de 1948. Recebera a tarefa de armar o palanque, junto com outro companheiro, Aloísio Aguiar, dono de um cartório no Pelourinho, conhecido então como um grande orador popular. A polícia não gostou de vê-los montando o palanque à luz do dia, desmanchou-o violentamente e prendeu os dois, por volta das 15 horas. A prisão ocorreu dentro da “Livraria Popular”, próxima à Câmara Municipal de Salvador, para onde ele correra junto com Aguiar logo que a repressão chegara.

À noite, apesar da repressão, os comunistas insistiram na realização do comício. Era um ato pela reconstitucionalização do país, contra a atitude discricionária do então presidente Eurico Gaspar Dutra, que colocara o PCB na ilegalidade. A polícia chegou arrebentando, atirando, espancando quem encontrasse pela frente. Dezenas de pessoas foram presas, entre as quais o hoje historiador Luís Henrique Dias Tavares, Henrique Lima Santos, o líder da estiva João Cardoso, o líder dos carris urbanos João dos Passos e Florisvaldo Viana. Contreiras não ficou preso mais do que três, quatro dias.

Voltou a ser preso em 1953, durante a campanha `O petróleo é nosso`. O governo de Getúlio Vargas, apesar de sua natureza democrática nessa segunda fase da longa história da presença dele na vida política brasileira, considerava que o PCB havia crescido muito e volta e meia prendia comunistas, como ocorreu com Contreiras. Nessa prisão experimentou a tristeza da separação de Amabília Almeida, com quem havia se casado meses antes. Foi preso em fevereiro de 1953. O casamento ocorrera em 2/5/1952. São três os filhos desta longa união, que perdura até os dias de hoje: Liana, Luís e Lis Anete (Biza).

Contreiras é rigoroso com seus companheiros. “Os comunistas brasileiros eram mais raivosos do que rigorosos”, costuma dizer ao referir-se ao contingente de militantes que integrava o partido em 1964. Havia pouco conhecimento da teoria marxista, na opinião dele. Daí as análises apressadas, as atitudes voluntaristas. “Eu próprio não tive persistência para ler “O Capital”, confessa. Os comunistas tinham dificuldades de analisar a complexa realidade brasileira. “O próprio Prestes, do ponto de vista teórico, nunca foi grande”.

Ele próprio confessa que, diante de sua insuficiência analítica e como decorrência da visão do partido, acreditava que os quartéis se levantariam caso ocorresse o golpe. E quando ocorreu, por algumas horas acreditou que os militares estavam em ebulição, contra o golpe. Estavam a favor.

E o golpe de 1964 foi uma devastação para o PCB. Além da repressão, muitos dos comunistas mais experimentados e combativos, como Mário Alves, Carlos Marighella e Apolônio de Carvalho, passaram a defender a tese da luta armada e acabaram fundando outras organizações revolucionárias.

Ali começava a longa fase de decadência do PCB que, no entanto, ainda exerceu uma ponderável influência no processo que resultou na derrota da ditadura. Contreiras nunca deixou de admirar figuras como Marighella – foi um dos coordenadores da campanha dele a deputado constituinte em 1945 – e Mário Alves – “um dos quadros mais brilhantes que o partido já teve”.

Em meados de 1975, Contreiras volta a ser preso e desta vez a barra pesou. Dois anos antes, 1973, com as principais organizações que defendiam a luta armada já bastante desarticuladas, tem início a Operação Radar, destinada a destruir o PCB e que...

*jornalista professor da Faculdade de Comunicação da UFBA, autor de As asas invisíveis do padre Renzo, de Galeria F – Lembranças do Mar Cinzento (1o volume), de Lamarca, o Capitão da Guerrilha e de Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura militar. É deputado estadual pelo PT.

Todos os capítulos - Série 3
Capítulo 40
Waldir Pires
Capítulo 39
Waldir Pires
Capítulo 38
Waldir Pires
Capítulo 37
Waldir Pires
Capítulo 36
Waldir Pires
Capítulo 35
Waldir Pires
Capítulo 34
Waldir Pires
Capítulo 33
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Capítulo 32
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Capítulo 31
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Capítulo 30
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Capítulo 29
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Capítulo 28
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Capítulo 27
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Capítulo 24
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Capítulo 23
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Capítulo 22
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Capítulo 21
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Capítulo 20
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Capítulo 19
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Capítulo 14
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Capítulo 13
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Capítulo 12
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Capítulo 11
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Capítulo 10
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Capítulo 9
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Capítulo 8
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Capítulo 7
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Capítulo 6
Waldir Pires
Capítulo 5
Waldir Pires
Capítulo 4
Waldir Pires
Capítulo 3
Waldir Pires
Capítulo 2
Waldir Pires
Capítulo 1
Waldir Pires
Índice - Série 1 -Personagens
Emiliano José
1 2 3
Theodomiro Romeiro e Paulo Pontes 4 5 6 7
Rui Patterson 8 9 10 11
Carlos Sarno 13 14 15
Airton Ferreira 16 17
Juca Ferreira 18 19  
Jurema Valença 20 21 22 23
Othon Jambeiro 24 25 26 27 28 29
Fernando Alcoforado 30
Índice - Série 2 - Personagens
Sergio Gaudenzi 1 2 3 4
Péricles de Souza 5 6 7 8
Mário Alves de Souza 9 10 11
Everardo Publio de Castro 12 13 14 15
Nudd David de Castro 16 17 19 20 21
Mário Lima 22 23 24 25 26 27 28
Luís Contreiras 29 30 31 32 33

 

 
 
 
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