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Galeria F – Lembranças do Mar Cinzento – Parte 3 - (Cap.IX)

Na opinião de Waldir, o ano de 1963, havia começado bem para o presidente Goulart...

Emiliano José*

Na carta em que se despede do Ministério do Trabalho, enviada a Vargas, em 1953, Goulart, conforme Moniz Bandeira, afirma ter convicção de que agira com dignidade “preferindo ficar ao lado dos trabalhadores a pactuar com os inúmeros advogados de interesses espúrios que muitas vezes bateram às portas do meu gabinete, pretendendo especular com o sofrimento e a desgraça do povo. (...) Continuo ao lado dos trabalhadores. Apenas mudo de trincheira”.

A vingança Goulart, se a palavra for própria aqui, veio com sua eleição para vice-presidente da República em 1955, quando teve 3.591.409 votos, meio milhão a mais que Juscelino Kubitschek, seu parceiro de chapa. À época, os votos para presidente e vice eram separados. Sua trajetória continuava ascendente.

Como vice-presidente de Kubitschek, manteve sua coerência. Cobrava as reformas de base, entre as quais a reforma agrária e a redistribuição das rendas públicas para os Estados mais pobres. Defendia já então “uma reforma de base total da propriedade”, criando-se, com isso, condições para que ocorresse uma verdadeira distribuição da riqueza “para que os ricos sejam menos ricos e os pobres menos miseráveis”.

Moniz Bandeira defende que Goulart, vice de Kubitschek, aproximou-se, assim, de fato, de uma concepção social-democrata, “ou seja, socialista das chamadas reformas de base”. Mais próprio afirmar, penso, que ele desenvolvera uma visão social-democrata radical, reformista, e menos socialista. As reformas que propugnava, mesmo que radicais, inscreviam-se na tradição da modernização do capitalismo, à européia, o que não era aceito pela burguesia nacional e menos ainda pelas corporações internacionais, particularmente as norte-americanas.

Tratava-se de um pensamento modernizador, de forte conteúdo social, próximo de um ideário social-democrata, distante, no entanto, do que se entende como social-democracia no Brasil atual, mais próxima do pensamento de direita. Não por acaso, PSDB e PFL andam juntos, como irmãos siameses. A social-democracia brasileira atual é o pensamento de direita mais atualizado, mais afinado com a modernidade de Wall Street ou com o que ficou conhecido como Consenso de Washington.

Goulart será novamente eleito vice-presidente em 1960, diferentemente do seu companheiro de chapa, Marechal Lott, que perde a presidência da República para Jânio Quadros. O destino de Goulart só se modifica com o golpe de 1964, quando ele é derrubado. Importante reiterar, portanto, para que compreendamos o golpe no contexto histórico, que Goulart já representava, desde o início dos anos 50, uma ameaça à direita brasileira pelas forças sociais que representava, encarnada principalmente no Partido Trabalhista Brasileiro, mas que ia além dele.

Waldir, quando define Goulart, acompanha a visão de Bandeira, que o considera um homem simples, afável e discreto, sem qualquer afetação. Aparentemente tímido, transformava-se diante da multidão, quando se superava, especialmente quando, nos comícios, abandonava o texto escrito. Aí se agigantava. Desaparecia a timidez, aparecia o tribuno entusiasmado com a presença das massas.

Atrás dizíamos que, na opinião de Waldir, o ano de 1963, havia começado bem para o presidente Goulart. Fora largamente vitorioso no plebiscito, consagrado presidente com uma votação esmagadora. A direita, no entanto, recorda Waldir, não se conformava. Não aceitava, sob nenhuma hipótese, que aquela articulação de forças que se formara em torno de Goulart continuasse, não aceitava que a política de reformas prosseguisse. Nossa tradição contra as reformas básicas que favoreçam o povo vem de longe...

Jornalista, escritor, autor de Lamarca, o Capitão da Guerrilha; Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura militar; As asas invisíveis do padre Renzo; Galeria F – Lembranças do Mar Cinzento, parte I e II.

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