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Galeria F – Lembranças do Mar Cinzento – Parte 3 – (Cap. V)

Logo que o avião do presidente decolou, Waldir e Darcy voltaram para o Palácio do Planalto e viram as tropas militares ocupando a Esplanada dos Ministérios...

Emiliano José*

Na leitura de Darcy Ribeiro, o estopim que impulsionou os EUA a mergulharem de modo mais ostensivo nas articulações do golpe militar de 1964 foi a Lei de Remessa de Lucros, redigida por Waldir Pires. Goulart não aceitara as pressões norte-americanas para que desistisse de implementá-la e isso “fez com que os norte-americanos deixassem apenas de subornar deputados e políticos com seu sujo dinheiro como vinham fazendo, para passar a conspirar com generais e politicões conforme fizeram e foi decisivo para a derrubada do governo”.

Aqui, ao falar do suborno de parlamentares por parte dos EUA, Darcy está se referindo especificamente à criação de entidades como o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), as quais, em contato estreito com a CIA, que lhes fornecia orientação e recursos financeiros abundantes, fundada em sua larga experiência corruptora e golpista, para corromper, promover intrigas, influir nas eleições, impor diretrizes ao Congresso Nacional e dissolver, pouco a pouco, os alicerces do governo e do regime democrático.

Essa interpretação, correta na minha opinião, está no excelente livro de Moniz Bandeira – O governo João Goulart – As lutas sociais no Brasil: 1961-1964, da Editora Civilização Brasileira. Sobre os empresários que articularam a criação de tais entidades em consonância com os interesses dos EUA, pode-se acompanhar opinião do próprio Goulart, expressa no livro de Bandeira: “Explorando rendosa indústria de combate aos extremismos ou desfraldando falsas bandeiras de legalidade, pretendiam manter o País em clima de constante intranqüilidade e perigosa agitação”.

Foi, nas palavras de Bandeira, um primoroso trabalho de corrupção promovido pela CIA, inédito no País, que aliciou empresários, vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, governadores de Estado, jornalistas, donas-de-casa, estudantes, dirigentes sindicais, padres e camponeses, “enfim, a choldra de todas as classes e categorias da sociedade civil brasileira”. Mais tarde, o governo vai confrontar-se com essas entidades, particularmente com o IBAD, e com base nas conclusões de uma CPI que comprovara a intervenção da entidade “no processo de escolha de representantes políticos do povo brasileiro para a tomada do poder através da corrupção eleitoral”, determinará o encerramento de suas atividades, conforme registrado por Bandeira.

Voltando ao que disséramos antes, Waldir fora um dos formuladores fundamentais das reformas estruturais que o governo Goulart pretendia levar a cabo. Tais reformas começavam a renovar, na opinião de Darcy Ribeiro, a arcaica institucionalidade brasileira e marcaram o governo Goulart, foram as qualidades singulares e distintivas daquela experiência. “Elas é que provocaram, sem qualquer dúvida, a unificação de toda a direita brasileira contra o governo. Elas é que mobilizaram a reação para a campanha de envenenamento da opinião pública, procurando mostrar Jango como um comunista feroz. Elas, afinal, é que levaram à internacionalização da política brasileira de que resultou o golpe de 64 e todo o retrocesso a que ele nos conduziu”.

Darcy tem uma convicção: Jango não caiu por seus defeitos. Foi derrubado por suas qualidades, por sua vocação progressista, pelas reformas que estava realizando, pelas qualidades “que faziam dele uma ameaça para todos os que queriam manter o Brasil tal qual era: latifundiário e dependente”. O presidente Goulart, de acordo com Darcy, reuniu em torno dele, em postos de relevância e responsabilidade, “a equipe mais brilhante, mais competente e de maior sensibilidade social que jamais se montou no Brasil: Hermes Lima, Celso Furtado, Santiago Dantas, Anísio Teixeira, Carvalho Pinto, Tancredo Neves, Paulo Freire e, em posição de destaque, Waldir Pires”.

Waldir e Darcy, logo que o presidente decolou, voltaram para o Palácio do Planalto. Tratava-se, agora, de desenvolver todos os esforços possíveis, todas as articulações imagináveis para tentar impedir o impeachment de Goulart. Ainda com o presidente em Brasília, havia sido acertado com o comandante militar do Planalto, general Nicolau Fico, que o Exército se manteria dentro dos quartéis. Isso permitiria a continuidade de uma mobilização de centenas de pessoas concentradas no Teatro Nacional com o objetivo de pressionar o Legislativo contra a aprovação do impeachment, por absolutamente ilegal e ilegítimo. Se os parlamentares tentassem fazê-lo, os manifestantes ocupariam o plenário do Congresso e impediriam que tal medida fosse efetivada.

Qual não foi a surpresa dos dois quando, ao se aproximar da Esplanada dos Ministérios, voltando do aeroporto, viram as tropas do Exército ocupando tudo, inclusive as imediações da Praça dos Três Poderes. As luzes do Congresso Nacional acesas denunciavam que a trama para derrubar o presidente andava a passos largos, e sob a proteção das baionetas. A trama baseava-se no argumento de que Goulart deixara o país. Ao saber disso, pelo deputado Doutel de Andrade, Waldir sentou-se à máquina e redigiu aquela...

Jornalista, escritor, autor de Lamarca, o Capitão da Guerrilha; Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura militar; As asas invisíveis do padre Renzo; Galeria F – Lembranças do Mar Cinzento, parte I e II.

Todos os capítulos - Série 3
Capítulo 40
Waldir Pires
Capítulo 39
Waldir Pires
Capítulo 38
Waldir Pires
Capítulo 37
Waldir Pires
Capítulo 36
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Capítulo 35
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Capítulo 34
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Capítulo 31
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Capítulo 30
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Capítulo 8
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Capítulo 7
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Capítulo 6
Waldir Pires
Capítulo 5
Waldir Pires
Capítulo 4
Waldir Pires
Capítulo 3
Waldir Pires
Capítulo 2
Waldir Pires
Capítulo 1
Waldir Pires
Índice - Série 1 -Personagens
Emiliano José
1 2 3
Theodomiro Romeiro e Paulo Pontes 4 5 6 7
Rui Patterson 8 9 10 11
Carlos Sarno 13 14 15
Airton Ferreira 16 17
Juca Ferreira 18 19  
Jurema Valença 20 21 22 23
Othon Jambeiro 24 25 26 27 28 29
Fernando Alcoforado 30
Índice - Série 2 - Personagens
Sergio Gaudenzi 1 2 3 4
Péricles de Souza 5 6 7 8
Mário Alves de Souza 9 10 11
Everardo Publio de Castro 12 13 14 15
Nudd David de Castro 16 17 19 20 21
Mário Lima 22 23 24 25 26 27 28
Luís Contreiras 29 30 31 32 33

 

 
 
 
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