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Galeria F – Lembranças do Mar Cinzento – Parte 3 - (Cap. VII)

Emiliano José*

Waldir guarda de Rubens Paiva um enorme sentimento de fraternidade, de gratidão, de orgulho por tê-lo conhecido, como ele próprio confessa. Orgulho de ter sido amigo dele, de ter testemunhado sua espontaneidade solidária “no gesto, na atitude para servir a uma causa que lhe parecesse justa e correta”. Até hoje Waldir se recorda da reunião de companheiros, dia 3 de abril de 1964, noite alta, tudo recendendo terror e tensão, e ele, Rubens Paiva, “oferecendo-se para organizar e executar a logística da operação de retirada dos que precisavam deixar a capital do País para cumprir as tarefas da resistência possível”.

Foi o próprio Rubens Paiva quem havia escolhido as moitas de vegetação entre as quais Waldir e Darcy deveriam se esconder à espera do avião que os levaria a uma fazenda próxima, como já relatado. Escolheu e de manhã os conduziu até elas. Rubens Paiva é, assim, para Waldir, “a lembrança querida de um irmão extraordinariamente valoroso e bom”. Waldir vive até hoje a lembrança trágica do desaparecimento de Rubens Paiva, assassinado pela ditadura. E a lembrança lhe é particularmente cara porque na manhã do desaparecimento dele, 20 de janeiro de 1971, Waldir estivera com ele.

Waldir relembra que Rubens Paiva morava na Avenida Delfim Moreira. Foi lá, na manhã de sol do Leblon, entre copos de cerveja, que ele, Rubens e Raul Riff conversaram bastante, como bons amigos. Waldir foi insistentemente convidado por ele e por Eunice, mulher dele, para que ficasse para o almoço. Waldir, com filhos crianças e adolescentes, havia prometido a eles e a Yolanda que naquele feriado – dia de São Sebastião – estariam juntos. Menos de uma hora depois, a casa foi militarmente ocupada e ele levado preso, para nunca mais voltar e passar a integrar a lista dos desaparecidos.

A versão da ditadura sobre a morte dele é que teria sido resgatado por seus companheiros quando mostrava à polícia um endereço onde poderia estar vivendo um “terrorista” que trazia correspondência de exilados chilenos. O ex-médico torturador, psiquiatra Amílcar Lobo, desmontou essa versão, dizendo que atendeu Rubens Paiva e que a tortura o tornara uma “equimose só”. No dia seguinte ao atendimento, soube que ele havia morrido.

As investigações acabaram chegando aos responsáveis pelas torturas, morte e ocultação do cadáver de Rubens Paiva, como consta do livro de Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio (Dos filhos deste solo – Mortos e desaparecidos durante a ditadura militar: a responsabilidade do Estado – Editora Fundação Perseu Abramo e Boitempo Editorial). Os assassinos foram o coronel Ronald José da Motta Batista Leão, que foi chefe da II Seção do I Exército e comandante do PIC; o capitão de Cavalaria João Câmara Gomes Carneiro; o subtenente Ariedisse Barbosa Torres; o major PM-RJ Riscala Corbage e o segundo-sargento Eduardo Ribeiro Nunes.

Waldir nunca se esquecerá daquele 20 de janeiro de 1971. À tarde, recebeu um telefonema que dava conta do “internamento” de Rubens Paiva. Rapidamente promoveu-se uma reunião com advogados amigos, na casa de Bocaiúva Cunha. “E começara o duro infortúnio que se abateu sobre toda a família de Rubens, e a dor e a angústia que envolveram a todos nós, seus amigos”. Waldir esteve sempre perto de Eunice e de toda a família, solidário. Eunice esteve na Bahia, depois da anistia de 1979, no ato de filiação de Waldir ao PMDB. Para abraçá-lo, como se fora a representação simbólica de Rubens. Uma amizade eterna.

Waldir, quando fala sobre o golpe, rememora o percurso de Goulart. O ano de 1963 havia começado bem para o presidente. Um plebiscito deveria decidir se deveria ou não continuar o parlamentarismo que lhe havia sido imposto para que ele pudesse assumir a presidência em setembro de 1961, logo após a renúncia de Jânio Quadros, do qual era vice. E a vitória de Goulart, naquele início de 1963, foi insofismável, esmagadora: 9 milhões disseram sim ao presidencialismo, ratificando o seu mandato e apoiando o programa de reformas de base. Apenas 1 milhão de eleitores optaram pelo parlamentarismo.

Foi a verdadeira e consagradora eleição de Goulart à presidência, “a mais expressiva de toda a história do País, maior do que a de Quadros, até então recorde, com 6 milhões de votos”, como assinala Moniz Bandeira, no livro já citado. Líder do Partido Trabalhista Brasileiro desde o início dos anos 50, era, desde lá o principal alvo da direita...

Jornalista, escritor, autor de Lamarca, o Capitão da Guerrilha; Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura militar; As asas invisíveis do padre Renzo; Galeria F – Lembranças do Mar Cinzento, parte I e II.

Todos os capítulos - Série 3
Capítulo 40
Waldir Pires
Capítulo 39
Waldir Pires
Capítulo 38
Waldir Pires
Capítulo 37
Waldir Pires
Capítulo 36
Waldir Pires
Capítulo 35
Waldir Pires
Capítulo 34
Waldir Pires
Capítulo 33
Waldir Pires
Capítulo 32
Waldir Pires
Capítulo 31
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Capítulo 30
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Capítulo 29
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Capítulo 28
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Capítulo 27
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Capítulo 26
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Capítulo 25
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Capítulo 24
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Capítulo 23
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Capítulo 22
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Capítulo 21
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Capítulo 20
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Capítulo 19
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Capítulo 18
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Capítulo 17
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Capítulo 16
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Capítulo 15
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Capítulo 14
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Capítulo 13
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Capítulo 12
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Capítulo 11
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Capítulo 10
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Capítulo 9
Waldir Pires
Capítulo 8
Waldir Pires
Capítulo 7
Waldir Pires
Capítulo 6
Waldir Pires
Capítulo 5
Waldir Pires
Capítulo 4
Waldir Pires
Capítulo 3
Waldir Pires
Capítulo 2
Waldir Pires
Capítulo 1
Waldir Pires
Índice - Série 1 -Personagens
Emiliano José
1 2 3
Theodomiro Romeiro e Paulo Pontes 4 5 6 7
Rui Patterson 8 9 10 11
Carlos Sarno 13 14 15
Airton Ferreira 16 17
Juca Ferreira 18 19  
Jurema Valença 20 21 22 23
Othon Jambeiro 24 25 26 27 28 29
Fernando Alcoforado 30
Índice - Série 2 - Personagens
Sergio Gaudenzi 1 2 3 4
Péricles de Souza 5 6 7 8
Mário Alves de Souza 9 10 11
Everardo Publio de Castro 12 13 14 15
Nudd David de Castro 16 17 19 20 21
Mário Lima 22 23 24 25 26 27 28
Luís Contreiras 29 30 31 32 33

 

 
 
 
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