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Galeria F – Lembranças do Mar Cinzento – Parte 3 – (Cap.VIII)

A vitória no plebiscito foi a consagradora eleição de Goulart à presidência da República...

Emiliano José*

Ao enfrentar o plebiscito, Goulart demonstrou o quanto era forte, o quando tinha acumulado de liderança junto ao povo brasileiro. Foi a verdadeira e consagradora eleição de Goulart à presidência, “a mais expressiva de toda a história do País”, maior do que a de Jânio Quadros, até então recorde, com 6 milhões de votos, como assinala Moniz Bandeira, no livro já citado. Líder do Partido Trabalhista Brasileiro desde o início dos anos 50, era, desde lá o principal alvo da direita. Era um típico reformista, no melhor sentido da palavra, tal como o definia Darcy Ribeiro, e como também o define Moniz Bandeira. Este não o considera um populista, como às vezes facilmente ele é caracterizado.

A discussão sobre o populismo no Brasil e na América Latina ainda não está resolvida, embora seja ampla. Há vasta bibliografia a respeito, e para todos os gostos. Octavio Ianni, no seu clássico, respeitado O colapso do populismo no Brasil (Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1975.) generaliza o conceito e, a partir de Getúlio Vargas, comandante, segundo ele, do populismo brasileiro, envolve também Goulart, a quem define, sem meios-termos, como “um líder populista” nas conclusões do seu trabalho. Ele traria consigo, conforme Ianni, “todos os compromissos e ambigüidades da política de massas”.

É contra essa tradição que Moniz Bandeira se bate ao tratar de Goulart. Polemiza com a generalização do conceito e, para tanto, busca amparo na visão de Darcy Ribeiro, que afirma, citado por ele, que o termo populismo foi aplicado aos mais diversos protagonistas da vida pública latino-americana “sem reconhecer suas diferenças nem explorar seu valor explicativo”.

Escuda-se também em Francisco Weffort, para quem o populismo é um estilo político “manifestamente individualista”, demagógico, implicando “em quaisquer de suas formas, uma traição à massa popular”. O programa populista funda-se na personalidade do líder, segundo Weffort, “no carisma, que sublima o desespero das classes médias urbanas e rurais”, deixando adormecido parte do proletariado, “com o objetivo não de reformar e sim de manter o status quo”.

Goulart, diz Moniz Bandeira, não era isso. Não atuava como demagogo, que entorpecia as massas e as desorganizava para resguardar o domínio do grande capital. Era um reformista coerente, e sua política esteve sempre assentada na massa organizada, nos sindicatos e num partido político, o PTB, “bem ou mal um partido de composição operária”.

Posto isso, Bandeira quer afirmar outra visão sobre Goulart, tirando-o da maldição do rótulo populista. A prática de Goulart se aproximaria muito mais da social-democracia européia depois da guerra de 1914-1918, nas condições históricas do Brasil, do que à prática populista, ao menos na visão de Bandeira.

Nomeado ministro do Trabalho por Vargas em 1953, tal foi a pressão da direita que ele acabou caindo antes que acontecesse o suicídio do presidente. Os ataques cresceram vertiginosamente quando Goulart sugeriu a majoração em 100% para o salário mínimo de então. Nossas classes dominantes vêm de longe com sua tradição excludente. A concentração de renda no Brasil não nasceu como um raio num dia de céu azul.

Na carta em que se despede do Ministério do Trabalho, enviada a Vargas, Goulart, conforme Moniz Bandeira, afirma ter convicção de que agira com dignidade...

Jornalista, escritor, autor de Lamarca, o Capitão da Guerrilha; Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura militar; As asas invisíveis do padre Renzo; Galeria F – Lembranças do Mar Cinzento, parte I e II.

Todos os capítulos - Série 3
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Capítulo 4
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Capítulo 3
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Capítulo 2
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Capítulo 1
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Índice - Série 1 -Personagens
Emiliano José
1 2 3
Theodomiro Romeiro e Paulo Pontes 4 5 6 7
Rui Patterson 8 9 10 11
Carlos Sarno 13 14 15
Airton Ferreira 16 17
Juca Ferreira 18 19  
Jurema Valença 20 21 22 23
Othon Jambeiro 24 25 26 27 28 29
Fernando Alcoforado 30
Índice - Série 2 - Personagens
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Péricles de Souza 5 6 7 8
Mário Alves de Souza 9 10 11
Everardo Publio de Castro 12 13 14 15
Nudd David de Castro 16 17 19 20 21
Mário Lima 22 23 24 25 26 27 28
Luís Contreiras 29 30 31 32 33

 

 
 
 
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