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Galeria F – Lembranças do Mar Cinzento – Parte 3 - (Cap. X)

A direita não se conformava que a articulação reformista em torno de Goulart continuasse...

Emiliano José*

Goulart obtivera no início de 1963 uma vitória esmagadora. O plebiscito o consagra como presidente, derrota o parlamentarismo, como Waldir recorda. Era um bom início de ano. A direita, no entanto, acentua Waldir, não se conformava. Não aceitava, sob nenhuma hipótese, que aquela articulação de forças que se formara em torno de Goulart, de natureza reformista, continuasse. Não aceitava que a política de reformas prosseguisse. Waldir, quando olha o cenário atual, recorda que nossa tradição anti-reformista - e que se entenda reformista como algo positivo, progressista – vem de longe. É bom assimilar isso para compreender o que acontece em conjunturas posteriores, inclusive nos dias atuais.

Os sinais mais claros da confrontação, na visão de Waldir, foram dados no segundo semestre de 1963. E o recado da confrontação, e não há surpresa nisso, veio diretamente dos EUA. O então governador do Rio de Janeiro, Carlos Lacerda, golpista conhecido, dá uma entrevista profundamente agressiva ao Los Angeles Times. Nela, afirma, sem meios-termos, que Goulart será deposto, que há uma conspiração militar em marcha e, mais do que isso, critica duramente os chefes militares leais ao governo. Segundo Lacerda, os militares golpistas discutiam, naquele momento o que seria melhor quanto a Goulart: se tutelá-lo, se colocá-lo sob controle até o término do mandato ou destruí-lo imediatamente. Ou seja, a subversão estava em marcha.

Antes que se siga adiante, é importante lembrar que as relações com os EUA não andavam no melhor dos mundos e a evolução política brasileira desagradava o Império americano. Afinal, nas eleições de 1962, o nacional-reformismo cresceu. É só lembrar a eleição de Miguel Arraes para governador em Pernambuco, a extraordinária votação de Brizola para deputado federal, a duplicação da bancada do PTB no Congresso e o fortalecimento da Frente Parlamentar Nacionalista. Tudo se agravou quando Goulart não cedeu aos desejos de Kennedy em relação à crise dos mísseis que envolveu Cuba, reafirmando os princípios defendidos pelo Brasil de não-intervenção e de autodeterminação. Era outubro de 1962.

Tudo isso vai levar Robert Kennedy, irmão do presidente Kennedy e ministro da Justiça de seu governo, a qualificar o governo de Goulart como “desastroso”, afirmar que a corrupção era “endêmica” e que no governo ele, Goulart, e seu cunhado Leonel Brizola se tornaram ricos proprietários de terra, o que não era verdadeiro. Goulart era rico antes de assumir o governo e Brizola não era tão rico e não acumulou fortuna durante a sua vida pública. Por mais esforços que os militares fizessem depois que assumiram o poder, não conseguiram apontar nenhum ato de corrupção dos dois. Mas, a campanha interna e externa insistia nisso, àquele momento histórico. E as pressões dos EUA sobre o Brasil continuariam, intensas. E as atitudes golpistas, também.

A entrevista de Lacerda deu consciência a Goulart da gravidade da situação, segundo Waldir. E ele se reúne com seus ministros militares e assessores mais íntimos e conclui que a única saída para reprimir as tentativas golpistas e inclusive prender Carlos Lacerda era a decretação do Estado de Sítio. No dia 4 de outubro de 1963, Goulart pede a decretação da medida ao Congresso Nacional. Aconteceu, no entanto, que além da óbvia oposição das forças de direita, a esquerda e suas lideranças mais importantes, como Miguel Arraes, se opõem à idéia. E o presidente, então, retira a mensagem. Não sem concluir que, com esse recuo, que evidenciava fraqueza política, começava a sua deposição...


Jornalista, escritor, autor de Lamarca, o Capitão da Guerrilha; Carlos Marighella, o inimigo número um da ditadura militar; As asas invisíveis do padre Renzo; Galeria F – Lembranças do Mar Cinzento.

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Othon Jambeiro 24 25 26 27 28 29
Fernando Alcoforado 30
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Péricles de Souza 5 6 7 8
Mário Alves de Souza 9 10 11
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Nudd David de Castro 16 17 19 20 21
Mário Lima 22 23 24 25 26 27 28
Luís Contreiras 29 30 31 32 33

 

 
 
 
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