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Galeria F - Lembranças do Mar Cinzento (VIII)
Publicado em A TARDE em
20/10/2001

Emiliano José

Antes que chegasse ao Bico do Papagaio, então explosiva região que incluía parte do Pará, de Goiás, hoje Tocantins, e um pedaço do Maranhão, Péricles Santos de Souza percorreu uma trajetória, cujo marco inicial deve incluir a Igreja Católica. Nascido em Vitória da Conquista, no dia 5 de fevereiro de 1943, começou a vida política na escola secundária. Mais precisamente no Ginásio Bahiano de Ensino, no Campo da Pólvora, em Salvador. Um colégio particular, dirigido pelo professor Hugo Balthazar da Silveira, com quem o pai de Péricles, Agenor de Souza, conseguiu uma bolsa. Ali, tornou-se presidente do grêmio por conta de seus contatos com lideranças cristãs da então Ação Católica.

Desse ano, 1958, aos dias de hoje, passou pela Juventude Estudantil Católica (JEC), pela Juventude Universitária Católica (JUC), pela Ação Popular (AP) até chegar ao PC do B, partido do qual atualmente é dirigente. Não começou logo como militante de esquerda. A Igreja não contava com uma grande parcela de esquerda no momento em que ele inicia sua atividade política. Mas é a doutrina social da Igreja, que defendia o engajamento dos cristãos na vida política, que o leva logo a tomar o caminho das posições progressistas. Lembra-se do papel de D. Jerônimo, do Mosteiro de São Bento, a entusiasmá-lo para uma participação mais decisiva.

A luta entre direita e esquerda no movimento estudantil secundarista já era intensa, e ele toma partido. À esquerda. Jarbas Santana, em 1961, ganhou a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Vitória da esquerda, que, no entanto, perdeu a Associação Bahiana dos Estudantes Secundaristas (Abes) para a direita. O eleito, da direita, foi Jaime Vieira Lima. Na eleição seguinte, porém, uma composição ampla garantiu a vitória da esquerda, com a eleição de Hélio Duque. Em 1963, nova vitória da esquerda, com João Quadros. Tudo isso vivido intensamente por Péricles.

Com o surgimento do Movimento de Educação de Base (MEB) – instituição nacional fruto de um convênio entre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Ministério da Educação do governo João Goulart –, Péricles vê abrir-se uma nova frente de atuação política, tão ou mais entusiasmante do que o movimento estudantil. O MEB fazia um trabalho pioneiro de educação a distância, via emissoras de rádio. Na Bahia, a emissora utilizada era a Rádio Sociedade, de Feira de Santana. Era um movimento de caráter nitidamente progressista, de apoio às comunidades que assistiam às aulas. Disso para um trabalho de organização de tais comunidades foi um pulo.

Em 1962, Goulart muda a legislação para facilitar a organização de sindicatos de trabalhadores rurais. Aumenta o número de sindicatos. E surge a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), ainda em 1962. A diretoria foi fruto de uma composição entre o PCB e a AP. Péricles estava no congresso de fundação da Contag. O MEB cria uma equipe de sindicalismo e Péricles passa a ser o seu coordenador. Junto com Elenaldo Teixeira, hoje professor da Universidade Federal da Bahia, passou a fundar sindicato, um atrás do outro. Os dois já eram de AP.

Além dele, no MEB, atuavam Ronald de Freitas, hoje
também direção do PC do B, Ruth Vieira e Raimundo Paiva Dantas, além de Sérgio Gaudenzi. A coordenação da AP na Bahia, no período, era composta por Alfredo Marcílio de Souza, Haroldo Lima, Jorge Leal, Paulo Mendes, Severo Sales e o próprio Péricles.

O trabalho do MEB originou a fundação de mais de 20 sindicatos e três federações. Foram criadas entidades sindicais em Feira de Santana, Santo Antônio de Jesus, São Miguel das Matas, Senhor do Bonfim, Geremoabo, São Sebastião do Passé, São Gonçalo dos Campos, Cruz das Almas, Livramento de Nossa Senhora, entre outros municípios. As federações: Federação dos Trabalhadores Rurais Autônomos, Federação dos Trabalhadores Rurais Assalariados e Federação dos Trabalhadores Rurais Pequenos Proprietários. Foi essa rica experiência, malograda temporariamente com o golpe de 1964, que o tornou mais consciente da longa caminhada que havia pela frente para mudar o Brasil. Caminhada da qual ele participa com afinco. Sempre com a marca da discrição.

Emiliano José
é jornalista, ex-preso político entre 1970-1974 e autor, entre outros livros de “Galeria F - Lembranças do Mar Cinzento” e de “Marighella, o inimigo número um da ditadura militar” (ambos da Editora Casa Amarela)
emiljose@uol.com.br (site: www.emilianojose.com.br) .

Todos os capítulos - Série 3
Capítulo 40
Waldir Pires
Capítulo 39
Waldir Pires
Capítulo 38
Waldir Pires
Capítulo 37
Waldir Pires
Capítulo 36
Waldir Pires
Capítulo 35
Waldir Pires
Capítulo 34
Waldir Pires
Capítulo 33
Waldir Pires
Capítulo 32
Waldir Pires
Capítulo 31
Waldir Pires
Capítulo 30
Waldir Pires
Capítulo 29
Waldir Pires
Capítulo 28
Waldir Pires
Capítulo 27
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Capítulo 26
Waldir Pires
Capítulo 25
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Capítulo 24
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Capítulo 23
Waldir Pires
Capítulo 22
Waldir Pires
Capítulo 21
Waldir Pires
Capítulo 20
Waldir Pires
Capítulo 19
Waldir Pires
Capítulo 18
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Capítulo 17
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Capítulo 16
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Capítulo 15
Waldir Pires
Capítulo 14
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Capítulo 13
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Capítulo 12
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Capítulo 11
Waldir Pires
Capítulo 10
Waldir Pires
Capítulo 9
Waldir Pires
Capítulo 8
Waldir Pires
Capítulo 7
Waldir Pires
Capítulo 6
Waldir Pires
Capítulo 5
Waldir Pires
Capítulo 4
Waldir Pires
Capítulo 3
Waldir Pires
Capítulo 2
Waldir Pires
Capítulo 1
Waldir Pires
Índice - Série 1 -Personagens
Emiliano José
1 2 3
Theodomiro Romeiro e Paulo Pontes 4 5 6 7
Rui Patterson 8 9 10 11
Carlos Sarno 13 14 15
Airton Ferreira 16 17
Juca Ferreira 18 19  
Jurema Valença 20 21 22 23
Othon Jambeiro 24 25 26 27 28 29
Fernando Alcoforado 30
Índice - Série 2 - Personagens
Sergio Gaudenzi 1 2 3 4
Péricles de Souza 5 6 7 8
Mário Alves de Souza 9 10 11
Everardo Publio de Castro 12 13 14 15
Nudd David de Castro 16 17 19 20 21
Mário Lima 22 23 24 25 26 27 28
Luís Contreiras 29 30 31 32 33

 

 
 
 
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