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Galeria F - Lembranças do Mar Cinzento (XXIV)

Emiliano José

A greve dos trabalhadores da Petrobras em novembro de 1960, dirigida pelo Sindipetro, beneficiou não apenas aos assalariados da Bahia, mas a todos os funcionários da empresa. O acordo conquistado foi estendido em 1961 a todo o Norte/Nordeste, estabelecendo-se, a partir daí, o salário único. O Sindipetro, com isso, ganhou muito respeito. A sede era no Edifício Themis, na Praça da Sé, no Centro Histórico de Salvador. Como o sindicato cresceu muito, os diretores resolveram alugar uma casa, também no Centro Histórico, na Rua Alfredo Brito. Era uma sede maior, com três andares. Quase 100% da categoria estava agora sindicalizada.

Em 1962, um novo contrato coletivo estendeu os pagamentos da periculosidade a todos os empregados. Conquistaram-se ainda os adicionais noturno e de hora de almoço, além de um plano de carreira. Em maio de 1962, o presidente do Sindipetro, Osvaldo Marques, indica Mário Lima para figurar como presidente na chapa situacionista que disputaria as novas eleições da entidade. Esta chapa, concorrendo com outras duas, situadas mais à esquerda, alcançou quase 90% dos votos válidos.

Na disputa eleitoral envolveram-se, pela esquerda, a Polop (Política Operária), organização marxista, que formou uma chapa, e a Ação Popular, naquele momento vinculada à área mais progressista da Igreja Católica. O PCB preferiu aliar-se ao grupo de Osvaldo Marques e Mário Lima. Mário Lima ocupa a presidência, Verdi Plesch, a vice, Emanuel da Silva Rego, a primeira secretaria, Luciano Campos, a segunda e Osvaldo Marques, a tesouraria. Na suplência, figuravam Flordivaldo Maciel Dutra, Gildásio Batista Lopes, Milton da Costa Oliveira, Salvador José de Souza e Demosthenes Soares Oliveira. Essas informações estão no livro de Franklin Oliveira Jr., A Usina dos Sonhos (Salvador: Egba, 1996).

Mário Lima afirma que tinha ótima relação com o PCB. Lembra-se de Aristeu Nogueira, de Luiz Gonzaga, de Aristeu Almeida, de Luís Contreiras, com quem mantinha conversações constantes. As divergências eram tratadas com serenidade, na avaliação dele. Em 1963, o sindicato concretiza uma aspiração acalentada desde a fundação: a sede própria. Situada ao lado do Clube Português de Leitura, onde atualmente está localizado o Shopping Lapa, a inauguração contou com as presenças dos governadores Miguel Arraes, de Pernambuco, Seixas Dória, de Sergipe e Lomanto Júnior, da Bahia.

Coincidência ou não, foi a partir daí que o movimento estudantil passou a ter uma convivência cotidiana com o Sindipetro. O sindicato tornou-se uma das mais importantes organizações da sociedade civil progressista, em torno do qual gravitavam muitas iniciativas dos trabalhadores e de outros setores sociais. O próprio Sindiquímica, mais tarde um sindicato de grande importância no desenvolvimento de um novo modo de atuação operária na Bahia pós-golpe militar, começou a surgir no período. Constituiu-se a Associação Profissional dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica do Estado da Bahia (Aspetro), sob a liderança de Jair de Brito, combativo militante político até os dias atuais. Brito informa que o Sindiquímica chegou a cumprir todas as exigências para se tornar a realidade. Mas isso ocorreu às vésperas do golpe militar e a carta sindical não chegou a ser concedida.

Em 1962, Mário Lima lança a candidatura dele a deputado federal pelo Partido Socialista Brasileiro e é eleito. Fora aconselhado a se candidatar pelo cineasta e advogado Walter da Silveira. Os petroleiros elegeram também Wilton Valença, presidente do Stiep. Mário Lima assume o mandato em 1963. Constata que a bancada do PSB era constituída por políticos densos, forjados na luta política pelas reformas de base. Lembra-se de alguns de seus colegas: Francisco Julião, líder das Ligas Camponesas de Pernambuco; de Max da Costa Santos, notável intelectual engajado; de Roberto Saturnino, atuando até os dias atuais. O PSB aliara-se a alguns pequenos partidos, constituindo-se numa força independente na Câmara Federal.

Afastou-se por três meses da presidência do Sindipetro. No início de abril de 1963 já estava de volta à direção da entidade. A situação nacional começava a ficar tensa, especialmente depois que um plebiscito consagra o presidencialismo e fortalece o presidente João Goulart que só assumira quando da renúncia de Jânio Quadro em 1961, devido a um acordo que estabelecera o parlamentarismo. Goulart podia agora, pensava, fazer as reformas de base. No segundo semestre, vendo a conspiração da direita em marcha, com Carlos Lacerda, Magalhães Pinto e Adhemar de Barros à frente, Goulart pede a decretação do Estado de Sítio e o Congresso Nacional nega.

Mário Lima conta que estivera com o governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, em outubro de 1963. Fora chamado por José Aparecido, secretário de governo, para evitar confrontos entre o Sindicato dos Petroleiros de Belo Horizonte e as autoridades mineiras. Haveria uma exposição...

Emiliano José
é jornalista, ex-preso político entre 1970-1974 e autor, entre outros livros de Galeria F - Lembranças do Mar Cinzento, de Lamarca, o Capitão da Guerrilha, e de Marighella, o inimigo número um da ditadura militar (ambos da Editora Casa Amarela). Atualmente é vereador do PT em Salvador e deputado estadual eleito.

Todos os capítulos - Série 3
Capítulo 40
Waldir Pires
Capítulo 39
Waldir Pires
Capítulo 38
Waldir Pires
Capítulo 37
Waldir Pires
Capítulo 36
Waldir Pires
Capítulo 35
Waldir Pires
Capítulo 34
Waldir Pires
Capítulo 33
Waldir Pires
Capítulo 32
Waldir Pires
Capítulo 31
Waldir Pires
Capítulo 30
Waldir Pires
Capítulo 29
Waldir Pires
Capítulo 28
Waldir Pires
Capítulo 27
Waldir Pires
Capítulo 26
Waldir Pires
Capítulo 25
Waldir Pires
Capítulo 24
Waldir Pires
Capítulo 23
Waldir Pires
Capítulo 22
Waldir Pires
Capítulo 21
Waldir Pires
Capítulo 20
Waldir Pires
Capítulo 19
Waldir Pires
Capítulo 18
Waldir Pires
Capítulo 17
Waldir Pires
Capítulo 16
Waldir Pires
Capítulo 15
Waldir Pires
Capítulo 14
Waldir Pires
Capítulo 13
Waldir Pires
Capítulo 12
Waldir Pires
Capítulo 11
Waldir Pires
Capítulo 10
Waldir Pires
Capítulo 9
Waldir Pires
Capítulo 8
Waldir Pires
Capítulo 7
Waldir Pires
Capítulo 6
Waldir Pires
Capítulo 5
Waldir Pires
Capítulo 4
Waldir Pires
Capítulo 3
Waldir Pires
Capítulo 2
Waldir Pires
Capítulo 1
Waldir Pires
Índice - Série 1 -Personagens
Emiliano José
1 2 3
Theodomiro Romeiro e Paulo Pontes 4 5 6 7
Rui Patterson 8 9 10 11
Carlos Sarno 13 14 15
Airton Ferreira 16 17
Juca Ferreira 18 19  
Jurema Valença 20 21 22 23
Othon Jambeiro 24 25 26 27 28 29
Fernando Alcoforado 30
Índice - Série 2 - Personagens
Sergio Gaudenzi 1 2 3 4
Péricles de Souza 5 6 7 8
Mário Alves de Souza 9 10 11
Everardo Publio de Castro 12 13 14 15
Nudd David de Castro 16 17 19 20 21
Mário Lima 22 23 24 25 26 27 28
Luís Contreiras 29 30 31 32 33

 

 
 
 
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