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Lembranças do mar cinzento (XX) 

O leitor, se a série merece atenção, há de se lembrar, nem que vagamente, que nos capítulos XIII, XIV e XV falamos muito de Carlos Sarno e Jurema Valença. De Sarno principalmente, autor da peça "Aventuras e Desventuras de um Estudante", que provocou uma grande movimentação estudantil em Salvador, depois que o diretor do Colégio Central, apoiado pelo governo do Estado, decidiu proibir a sua exibição. Lembra-se também que os dois integraram, como lideranças, desde o nascedouro, em 1967, a Dissidência do PCB na Bahia. O mesmo leitor pode se lembrar da prisão de Rui Patterson, de Nemésio Garcia, de Getúlio Gouveia, de Marie Hélène Russi e Chantal Russi, presos no final de 1969, e condenados em meados de 1970. Getúlio Gouveia e Marie Hélène, quando foram presos na Rodoviária de Salvador, pretendiam ir ao Rio de Janeiro para estabelecer contatos com a Ação Libertadora Nacional (ALN), dirigida pelo mais famoso e importante dirigente das organizações armadas do Brasil, Carlos Marighella.
Sarno e Jurema aprofundam a clandestinidade logo que ocorrem as prisões, mas ainda ficam na Bahia até dezembro de 1969. Os dois compunham o grupo que defendia a visão socialista da revolução brasileira no interior da Dissidência da Bahia. Não simpatizavam com a idéia da incorporação à ALN, cuja visão ainda estava baseada na revolução em etapas: primeiro a revolução nacional e democrática, onde a burguesia nacional tinha um papel a cumprir, e depois a transformação socialista. Sarno e Jurema tinham simpatias pela Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (Var-Palmares), organização que havia nascido de uma fusão entre o Comando de Libertação Nacional (Colina) e a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), ocorrida em 1º de julho de 1969, segundo o registro do historiador Jacob Gorender, no livro" Combate nas Trevas" (São Paulo: Ática, 1987, p. 135). 
Foi a Var-Palmares, logo que constituída, ainda em julho, que fez, no Rio de Janeiro, a expropriação do cofre de Ana Capriglione, amante do ex-governador de São Paulo, Adhemar de Barros, o que rendeu à organização a nada desprezível soma de US$ 2,5 milhões. Diferentemente de algumas outras organizações, a Var-Palmares, teoricamente, valorizava mais o trabalho de massas, a atividade política entre os operários, embora mantivesse programaticamente a perspectiva da guerrilha rural como fundamental. E não defendia a idéia da revolução por etapas. Acreditava que a revolução socialista estava na ordem do dia. Que a burguesia nacional não tinha mais nenhum papel transformador a cumprir no País. 
Sarno e Jurema, em dezembro de 1969, vão para o Rio de Janeiro, onde tinham mecanismos de contatar a Var-Palmares. Fazem isso, e moram por algum tempo num aparelho no bairro de Botafogo. Como a Var tinha expropriado uma grande quantidade de formulários de documentos do Instituto Pedro Melo, do Rio de Janeiro, não foi difícil a Jurema conseguir documentar-se. Chegou num cartório, e argumentou com a funcionária que precisava da certidão de uma fulana (inventou o nome), mas que lhe faltava o nome completo. Queria ver o livro de registro. Escolheu os nomes, verdadeiros, para ela e Sarno, e as identidades do Pedro Melo foram preenchidas.
Dinheiro, havia. Sarno lembra-se até hoje da terrível tensão quando se tratava de trocar dólares em casas de câmbio. Havia a cobertura de um segurança da organização, mas isso não eliminava o nervosismo. Felizmente, quanto a essa troca de dólares, nunca ocorreu nada com os dois. Do Rio de Janeiro, foram para São Paulo, por determinação da Var-Palmares.
Quando chegam à capital paulista, grande parte da organização está sendo presa. No dia em que desembarcam, a pessoa com quem eles se encontrariam - o contato em São Paulo - é presa. Sarno passa a noite queimando documentos na casa de um operário onde estava hospedado. O rapaz que havia caído conhecia o endereço onde ele estava, e também um outro, onde Jurema se encontrava. Estavam na iminência de ser presos. Escaparam por um triz, mas desencontraram-se: Sarno teve que sair da residência onde estava e Jurema não sabia mais como localizá-lo, e ela também não pôde ficar mais no mesmo local.
Era o primeiro semestre de 1970. Jurema fica sem eira nem beira, sem ter para onde ir nem onde ficar, e resolve pegar um ônibus e passear na praia, em São Vicente, cidade próxima à capital. Por volta de 16 horas, desembarcou de volta. No caminho de volta, veio se perguntando sobre como localizar Sarno novamente. Matutou, pensou, refletiu, indagou sobre em que local ele poderia transitar, provavelmente também perdido, naquela tarde. E concluiu, sem saber por que, que a melhor possibilidade de encontrá-lo seria na Rua Direita, no centro de São Paulo. E foi para lá.
Todos os capítulos - Série 3
Capítulo 40
Waldir Pires
Capítulo 39
Waldir Pires
Capítulo 38
Waldir Pires
Capítulo 37
Waldir Pires
Capítulo 36
Waldir Pires
Capítulo 35
Waldir Pires
Capítulo 34
Waldir Pires
Capítulo 33
Waldir Pires
Capítulo 32
Waldir Pires
Capítulo 31
Waldir Pires
Capítulo 30
Waldir Pires
Capítulo 29
Waldir Pires
Capítulo 28
Waldir Pires
Capítulo 27
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Capítulo 26
Waldir Pires
Capítulo 25
Waldir Pires
Capítulo 24
Waldir Pires
Capítulo 23
Waldir Pires
Capítulo 22
Waldir Pires
Capítulo 21
Waldir Pires
Capítulo 20
Waldir Pires
Capítulo 19
Waldir Pires
Capítulo 18
Waldir Pires
Capítulo 17
Waldir Pires
Capítulo 16
Waldir Pires
Capítulo 15
Waldir Pires
Capítulo 14
Waldir Pires
Capítulo 13
Waldir Pires
Capítulo 12
Waldir Pires
Capítulo 11
Waldir Pires
Capítulo 10
Waldir Pires
Capítulo 9
Waldir Pires
Capítulo 8
Waldir Pires
Capítulo 7
Waldir Pires
Capítulo 6
Waldir Pires
Capítulo 5
Waldir Pires
Capítulo 4
Waldir Pires
Capítulo 3
Waldir Pires
Capítulo 2
Waldir Pires
Capítulo 1
Waldir Pires
Índice - Série 1 -Personagens
Emiliano José
1 2 3
Theodomiro Romeiro e Paulo Pontes 4 5 6 7
Rui Patterson 8 9 10 11
Carlos Sarno 13 14 15
Airton Ferreira 16 17
Juca Ferreira 18 19  
Jurema Valença 20 21 22 23
Othon Jambeiro 24 25 26 27 28 29
Fernando Alcoforado 30
Índice - Série 2 - Personagens
Sergio Gaudenzi 1 2 3 4
Péricles de Souza 5 6 7 8
Mário Alves de Souza 9 10 11
Everardo Publio de Castro 12 13 14 15
Nudd David de Castro 16 17 19 20 21
Mário Lima 22 23 24 25 26 27 28
Luís Contreiras 29 30 31 32 33

 

 
 
 
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