Lula em Salvador
Moradores
do Vila Juliana recebem chaves de imóveis
Conjunto habitacional foi construído
com investimento de R$ 6 milhões
Lenilde Pacheco
As chaves dos apartamentos dos servidores
públicos Roberto Cerqueira e Sandra Leila de
Oliveira foram entregues ontem num palanque erguido
na rua principal da Vila Juliana, no bairro de São
Cristóvão, onde o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva cumpriu o último compromisso na
capital baiana. O conjunto habitacional tem 256 unidades
e foi construído no âmbito do Programa
de Arrendamento Residencial (PAR), da Caixa Econômica
Federal, com investimento de R$ 6 milhões.
O acesso foi restrito às famílias
cadastradas no programa e, além delas, poucos
foram convidados. O governador Paulo Souto (PFL) e o
prefeito Antonio Imbassahy (PFL) estiveram presentes
e mantiveram inalterada a cordialidade em relação
do presidente. O pré-candidato do PT à
Prefeitura de Salvador, deputado Nelson Pelegrino, não
perdeu a chance de pegar carona na chamada agenda positiva.
Para o PT, nada mais legítimo
que os prefeituráveis petistas busquem espaço
ao lado do presidente. “O partido ficou entusiasmado
com a visita e o carinho do presidente”, comentou
o deputado estadual Emiliano José.
Quem não gostou foi o senador
Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), integrante
da base de apoio do governo no Congresso. ACM
considerou imprópria a viagem de Lula a Salvador
neste início de campanha municipal. O Palácio
do Planalto encaminhou convite ao senador baiano somente
na última sexta-feira, tão em cima da
hora que ele preferiu responder com uma justificativa
protocolar: informou que estaria ausente em função
de compromissos anteriormente assumidos em Brasília.
A ausência do senador representa
um sinal de afastamento, agravando uma tendência
demonstrada anteriormente. O primeiro reflexo prático
deste descompasso será claramente constatado
na votação da medida provisória
(MP) do salário mínimo no Senado. ACM
iria mesmo votar contra o salário mínimo
de R$ 260. Mas poderia conduzir apenas o seu voto. Contrariado
com a falta de neutralidade do presidente na sucessão
municipal de Salvador, o senador baiano estará
à vontade para articular outros parlamentares
e criar problemas para votações de interesse
do Palácio do Planalto.
O deputado federal Antonio Carlos Magalhães
Neto (PFL-BA) passou a tarde de ontem em seu escritório,
na Pituba. “O presidente deve governar o País
e não se envolver na campanha municipal”,
disparou, deixando evidente as conseqüências
da visita presidencial à capital baiana.
Com expressão de cansaço, o presidente
não discursou no palanque montado na Vila Juliana.
Falaram apenas o ministro Olívio Dutra (Cidades)
e o presidente da Caixa Econômica, Jorge Matoso.
Lula e dona Marisa embarcaram logo em seguida, na Base
Aérea, para Brasília.