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08/12/2004
Suplente
de vereadora é agredida
Eder
Luis Santana
A presidente do Sindicato dos Servidores Públicos
de Pojuca, Jaciara Argolo, 42 anos, foi espancada dentro
de sua casa na manhã do último sábado.
Sem reconhecer o agressor, ela diz ser um homem negro,
com aproximadamente 1,65m. A sindicalista procurou ajuda
na Comissão de Direitos Humanos da Assembléia
Legislativa e acusa o grupo político da atual
prefeita, Maria Luíza Láudano (PFL), pela
agressão.
Jaciara
acredita ser vítima de perseguição
desde que se afastou do cargo público de servente
para disputar uma vaga na Câmara Municipal. Após
perder as eleições, juntou-se com outros
membros da oposição e levou ao TRE denúncias
sobre possíveis fraudes durante a votação.
O órgão julgou o caso como improcedente,
mas a oposição recorreu e alguns membros
passaram a sofrer ameaças. Antes de recorrer
ao TRE, ela teria procurado a Justiça local,
mas afirma que as provas seguer foram analisadas.
As
agressões no sábado começaram por
volta das 10h20. O marido de Jaciara acabara de sair
deixando a porta encostada. Enquanto tomava banho, ela
ouviu a porta abrindo e perguntou se ele tinha voltado.
“Quando percebi, o homem estava dentro do banheiro
com um revólver na mão”, disse.
Socos, tapas e coronhadas foram dados na região
do tórax, cabeça e costas.
O
agressor ainda ameaçou o filho de seis anos da
vítima, que entrou no banheiro implorando que
não matasse a mãe. “Ele teve coragem
de colocar a arma no ouvido de meu filho e disse que
ia me matar se ele não calasse a boca”,
contou. O agressor teria sido visto durante toda a manhã
circulando em uma motocicleta.
Jaciara
afirma que vizinhos presenciaram um carro pertencente
ao grupo da prefeita próximo à casa. O
motorista foi reconhecido, mas ela prefere não
divulgar nomes enquanto a Comissão de Direitos
Humanos não autorizar.
A
delegada de Pojuca, Cristiane dos Santos, afirmou que
pretende iniciar as investigações colhendo
depoimentos dos suspeitos e das testemunhas. Antes mesmo
de prestar queixa, Jaciara procurou o presidente da
CDH e deputado estadual Yulo Oiticica, e o deputado
federal Nelson Pelegrino. Pelegrino disse que pretende
encaminhar o caso ao Secretário de Justiça
e à secretaria Nacional de Direito Humanos.
De
acordo com o coordenador de processos do TRE, Noel Bastos,
a única ação contra a prefeita
e seu grupo político diz respeito a abuso de
poder e uso de servidores durante a campanha eleitoral.
O órgão julgou o caso improcedente, mas
a oposição entrou com recurso.
OUTRO
LADO – A prefeita de Pojuca, Maria Luíza
Láudano (PFL-BA), nega que seu grupo esteja ligado
às agressões e que acusou alguém
pela confecção dos folhetos. “Meu
grupo político é incapaz de fazer isso.
Ninguém aqui é leviano”, diz. Demonstrando
perplexidade diante das acusações de Jaciara,
a prefeita afirma que abrirá um processo contra
ela. “Não admito essas afirmações”,
assinala. Com relação a supostas ameaças
aos membros da oposição, a prefeita diz
também estar sendo alvo de ameaças constantes.
Na
delegacia de Pojuca, as suspeitas sobre a produção
dos panfletos recaem em Jaciara Argolo. De acordo com
a delegada Cristiane dos Santos, durante a campanha
eleitoral, uma funcionária da gráfica
na qual foram impressos alguns folhetos informou que
Jaciara levou um lote para impressão. A sindicalista
terá de se explicar junto à polícia
ao mesmo tempo em que oficializa a queixa por agressão.
Jaciara
se defende alegando que essa funcionária a viu
quando foi imprimir boletins produzidos pelo sindicato.
“Todos os trabalhos que faço possuem timbre
do sindicato e são assinados. Sempre tem um bode
expiatório que eles querem usar”, diz.
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