Avalia-se que comportamento
do presidente em Salvador favorece Pelegrino
Lenilde Pacheco
O day-after da emblemática viagem
do presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva
a Salvador permitiu ontem uma avaliação
sobre perdas e ganhos que deixou satisfeita a cúpula
do PT baiano. Essencialmente porque o partido tinha
necessidade de dissipar rumores sobre o poder de influência
do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA)
sobre o Palácio do Planalto. “A visita
do presidente desmontou as versões, limpou o
território”, comemorou o coordenador da
campanha do prefeiturável Nelson Pelegrino (PT),
deputado estadual Emiliano José.
Para o presidente do PT baiano, deputado
federal Josias Gomes, as 10 horas de permanência
do presidente na capital baiana permitiram que os ministros
Humberto Costa (Saúde) e Olívio Dutra
(Cidades) prestassem contas das ações
realizadas na Bahia em 18 meses do governo Lula. “Foi
uma excelente oportunidade para o diálogo”,
exagerou.
“Os discursos dos ministros foram
sustentados em números relativos aos investimentos
realizados principalmente na área social (habitação,
saneamento e programa bolsa-família), uma das
nossas prioridades”, observou o deputado Josias
Gomes, convencido de que indiretamente o candidato Nelson
Pelegrino vai capitalizar dividendos desta viagem durante
a campanha a prefeito.
CONSEQÜÊNCIAS – Os
dirigentes petistas fazem questão de registrar
que o presidente Lula não veio a Salvador para
lançar a candidatura Pelegrino. Mas admitem que
a programação permitiu ao Palácio
do Planalto demonstrar unidade em torno da candidatura
petista. “O presidente não está
em campanha, mas mostrou qual é a sua preferência”,
resumiu Josias Gomes.
As conseqüências deste gesto
político estão anunciadas. Em um ano e
meio de governo petista, o PFL baiano, liderado pelo
senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), apoiou
no Congresso Nacional os projetos de interesse de governo.
Votos necessários para aprovar matérias
polêmicas. Nos bastidores políticos, todos
sabiam do diálogo permanente entre o ex-todo-poderoso
ministro José Dirceu (Casa Civil) e ACM.
“Essa casa ruiu”, arriscou
diagnosticar ontem um parlamentar pefelista. O discurso
feito anteontem no plenário do Senado, criticando
a “falta de educação política
do governo petista” não deixa dúvidas.
O senador baiano considerou inaceitável o uso
político da visita presidencial a Salvador. Bateu
pesado para mostrar que não existe compromisso
de reciprocidade sustentável em via de mão
única. ACM pretendia a neutralidade do Planalto
em Salvador na sucessão municipal.