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11/08/2004
Oposição
vai à Justiça para apurar extorsão
Ministério
Público instaura inquérito e notifica
Secretaria da Saúde de Salvador
Flávio
Oliveira e redação
A bancada
do PT na Câmara de Vereadores entra hoje com mandado
de segurança para garantir a abertura de Comissão
Especial de Investigação (CEI) para apurar
o caso de extorsão envolvendo o deputado estadual
Maurício Trindade (sem partido). O requerimento
apresentado à Câmara Municipal está
com 14 assinaturas. Vereadores da base de apoio ao prefeito
Antonio Imbassahy e três vereadores do PDT não
assinaram o requerimento.
Pelo regimento
da Câmara, a abertura de comissões de investigações
só ocorre por maioria, ou seja, por 19 assinaturas.
A Constituição Federal prevê que
comissões de investigações podem
ser abertas mediante aprovação de um terço
dos membros do parlamento. Se aplicada à Câmara,
o número de assinaturas para a abertura da CEI
seria 12, duas a menos do total de adesões recolhidas
até o momento.
No mandado
de segurança, o PT argumenta que nenhuma lei
pode ficar acima da Constituição Federal.
Recentemente, a Justiça Eleitoral determinou
a redução de números de vereadores
em todo o País por conta de diferenças
entre regimentos das Câmaras que estavam em desacordo
com o texto constitucional. O vereador Sérgio
Carneiro acredita que a interferência da Justiça
vai garantir a abertura da CEI e restituir o direito
do parlamento municipal de cumprir seu dever constitucional
de fiscalizar o poder executivo.
IMPROBIDADE
– Ontem, os vereadores do PT, acompanhados do
deputado estadual Emiliano José, foram aos ministérios
públicos Estadual e Federal, onde entraram com
representações pedindo investigações
do caso de extorsão. Baseados em reportagens
publicadas em A TARDE, os dois órgãos
já haviam aberto procedimentos. A promotora Rita
Tourinho, do MPE, inclusive, já pediu documentação
à prefeitura com relação à
licitação de R$ 8 milhões em verbas
federais para a compra de leite dentro do programa contra
desnutrição infantil e de parturientes.
Este vai ser o quarto inquérito por improbidade
administrativa a ser respondido pela secretária
municipal da Saúde, Aldely Rocha. A secretária
já responde a uma ação de improbidade
na 6ª Vara da Fazenda Pública.
A promotora
Rita Tourinho disse que o repórter Marconi de
Souza, de A TARDE, responsável por denunciar
a extorsão praticada pelo deputado, será
o primeiro a ser ouvido. A audiência foi marcada
para o próximo dia 19 de agosto. Na oportunidade,
o repórter vai entregar a fita com a gravação
da conversa entre Maurício Trindade e o empresário
mineiro Omar Braga. “Vamos ouvir logo depois todas
as pessoas denunciadas, os envolvidos daqui e de Minas
Gerais”, disse.
Em 1997,
quando houve a licitação, Maurício
Trindade era vereador pelo PMN e pertencia à
base de sustentação do prefeito. Durante
o processo licitatório, Trindade teria tentado
extorquir o empresário mineiro Omar Braga, então
sócio da Nutril, uma das empresas concorrentes.
Trindade se defende afirmando que estava investigando
irregularidades naquele processo.
A licitação
acabou suspensa. Dias depois, a Secretaria Municipal
da Saúde dispensou licitação e
adquiriu o leite da própria Nutril. A divulgação
da fita fez com que Trindade pedisse desfiliação
do PSDB – partido ao qual ingressara há
um ano –, desistindo do cargo de vice-prefeito
na chapa encabeçada por João Henrique
(PDT), líder nas pesquisas de intenção
de votos.
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