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15/08/2004
Vai começar a briga eletrônica
A partir de terça-feira, os debates entre os candidatos à prefeitura ganham espaço eletrônico privilegiado
Lenilde Pacheco
O principal alvo dos marqueteiros, responsáveis pelos programas que serão veiculados no horário eleitoral gratuito, são os eleitores de baixa renda e escolaridade. Eles são a maioria do eleitorado, permanecem indecisos e têm menos conhecimento sobre os candidatos. Para conquistá-los e também aos outros estratos do eleitorado, as equipes dos candidatos à Prefeitura de Salvador querem alcançar a excelência no trabalho de comunicação. Preparam-se para iniciar, na terça-feira (17), uma batalha estratégica de vida ou morte.
O que vai estar em jogo daqui para a frente é a contabilidade de erros e acertos dos programas de cada candidato, que costumam ser milimetricamente medidos em pesquisas internas das campanhas. Feitos os primeiros ajustes, as pesquisas revelarão os sinais e a consistência de possíveis mudanças decorrentes da propaganda gratuita.
O candidato à Prefeitura de Salvador João Henrique Carneiro (PDT) acredita que o contingente de eleitores indecisos finalmente vai começar a diminuir, sob a influência do horário eleitoral gratuito. “A propaganda em rádio e TV define a eleição”, sentencia.
Nos últimos dias, a equipe de João Henrique correu contra a relógio para refazer todo o material de divulgação que incluía o nome do ex-vice Maurício Trindade, substituído de última hora pelo professor Marcelo Duarte. “O ânimo do nosso pessoal está mantido”, declarou o pedetista, no estúdio onde são feitas as gravações, no bairro da Pituba.
Trindade foi afastado da campanha em função do rumoroso processo de tentativa de extorsão, ocorrido em 1997, contra o empresário mineiro Omar Braga, da Nutril Nutrimentos Industriais. A cúpula do PSDB rifou o vice no mesmo dia (30 de julho) em que a denúncia foi publicada em A TARDE. A reportagem incluiu a degravação de fita contendo diálogos comprometedores do então vereador Maurício Trindade.
Sigilo - Líder nas pesquisas de intenção de voto, João Henrique procurou isolar o episódio e tocar a campanha com o foco centrado em questões administrativas da complexa Salvador. Tudo indica que fará isso também no horário eleitoral de rádio e TV, embora evite antecipar quaisquer informações sobre o conteúdo dos programas.
No quartel-general de seus opositores, na Federação, o coordenador geral de marketing do candidato César Borges (PFL), o publicitário Fernando Barros, é outro que utiliza poucas palavras quando se refere aos programas de rádio e TV. Ele considera que a mídia eletrônica facilita e contribui muito para a apresentação do plano de governo. “Mas não determina o resultado desta disputa”, ressalva. “A campanha nos bairros e a atuação dos candidatos a vereador também pesam bastante”.
Barros reconhece, no entanto, que a propaganda mal conduzida no horário eleitoral gratuito pode levar um candidato à derrota. “Este item isoladamente não é suficiente para determinar a vitória”, opina. “Mas tem força suficiente para derrubar uma candidatura”.
O coordenador da campanha de Nelson Pelegrino (PT) à Prefeitura de Salvador, deputado estadual Emiliano José, confia nos bons resultados da exposição do candidato petista na mídia eletrônica. “O diferencial positivo do candidato aparecerá com nitidez e na amplitude proporcionada pelos dois veículos”, resumiu.
O tom a ser utilizado nos horário petista será essencialmente propositivo, afirmou o publicitário Edson Barbosa. “A sociedade não está interessada na disputa política”, interpretou. “Quer saber quais são as propostas e ter certeza sobre a sua viabilidade. Temos um diagnóstico da cidade e vamos apresentar o plano de governo centrado especialmente nas questões sociais”.
Imagem de Lula - A experiência do PT em administrações municipais vai facilitar este trabalho de convencimento do eleitorado, acredita Edson Barbosa, naturalmente confiante na perspectiva de conquista de votos dos fiéis eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Salvador.
Em diversos debates promovidos pelas emissoras de rádio e TV, durante as últimas semanas, a candidata a prefeita Lídice da Mata (PSB) já revelou, em linhas gerais, o conteúdo do discurso que sustentará no palanque eletrônico. A ex-prefeita da capital vai apresentar resultados da sua administração (1993/96) e declarar que hoje teria condições de fazer mais, amparada em novas regras e princípios constitucionais que asseguram repasses financeiros da União e do Estado para o município.
A idéia é mostrar que, em condições menos adversas, poderá executar obras físicas e também dar a atenção ao setor social. Os adversários da ex-prefeita costumam criticá-la apontando aqueles que teriam sido os pontos fracos de sua gestão. Ela vai bater na seguinte tecla: “O modelo administrativo atual permite fazer muito mais”.
Na avaliação do candidato Benito Gama (PTB), a sucessão municipal ingressa agora em nova e decisiva fase. “Os recursos nesta área nos ajudam a apresentar de forma clara e objetiva as propostas de governo”, valoriza. “Mas o eleitor está amadurecido e sabe identificar o conteúdo das mensagens. Além disso, a opinião pública tem consciência dos valores que estão em jogo, como o futuro da cidade, e não se deixará levar pela tática de comunicação”
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