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23/09/2003
Amor
bonito como nas novelas
A história
de Iara Iavelberg se confunde com a história
de Carlos Lamarca, o oficial do Exército que
se rebelou e aderiu à luta armada em um dos períodos
mais agudos da ditadura militar instaurada a partir
do golpe militar de 1964.
Lamarca foi morto pela polícia no município
de Pintada, no interior da Bahia, ao lado de outro guerrilheiro
foragido, Zequinha, filho da região. Ironia da
história, Lamarca morreu em 17 de setembro de
1971. Setembro. O mês em que a história
de sua companheira, com a exumação, começa
a ser esclarecida.
O amor entre os dois tinha tudo para não dar
certo. Ele, casado e formado em rígidos padrões
morais, a princípio angustiava-se com a possibilidade
de trair a mulher, Maria Pavan, a quem trocara pela
revolução. Ela, rebelde, resoluta, casou
pela primeira vez aos 16 anos, com o também judeu
Samuel Haberkorn. Parecia não se prender a ninguém.
“Loira , alta, olhos claros, um sorriso aberto,
via-se que cuidava bem do corpo, tinha vaidade - muito
diferente das outras militantes da organização”,
relata o livro “Lamarca, o Capitão da Guerrilha.
Mas o amor operou a grande transformação.
A comunhão entre eles a todos impressionava.
O livro traduz as impressões de um militante
ao conhecer os dois, quando vieram se esconder na Bahia:
“Zé Carlos não percebia medo da
repressão naquele homem. Apenas uma tensão
que ia se desfazendo. E sentiu muito carinho nos dois,
como se estivessem namorando, mesmo que não se
tocassem. As expressões, os olhares, o astral
era tão perfeito que não conseguiam ficar
separados”.
Estarão juntos, agora? (A.B.)
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