6 de agosto de 1997






O anti-herói
Lamarca reconstitui a vida do capitão-guerrilheiro


Uma parte dos sombrios anos de chumbo no Brasil está cuidadosamente reconstituída pelo diretor Sérgio Rezende em Lamarca, o filme enfocado no sétimo fascículo da coleção ISTOÉ - cinema brasileiro. Com um grandioso elenco de 50 atores - destaque para a perfeita caracterização de Paulo Betti como o protagonista da história - e mil figurantes, Rezende conta a trajetória de Carlos Lamarca. Um carioca filho de sapateiro que se tornou capitão do Exército e abandonou a carreira militar, descontente com os rumos que o País tomou após o golpe militar de 1964, transformando-se em líder guerrilheiro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Narrado em flash-back, Lamarca começa mostrando os últimos anos da vida do capitão rebelde que, como exímio atirador, ironicamente foi um dos militares escolhidos para treinar caixas de banco contra os frequentes assaltos da guerrilha urbana brasileira.

Ao fazer sua opção radical pela revolução, no início de 1969 ele sai do seu quartel em Quitaúna, São Paulo, com um caminhão de armas e bagagem. Com alguns companheiros, cai na clandestinidade. Ao desertar, o anti-herói manda a mulher e os dois filhos para o exílio em Cuba, através de uma planejada escala de avião em Roma. Já no papel de dirigente da extinta VPR, ele comanda no Rio de Janeiro o célebre assalto ao cofre do ex-governador Adhemar de Barros e realiza uma incrível retirada dos guerrilheiros cercados pelo Exército no Vale do Ribeira, em São Paulo. Lamarca apaixona-se, em seguida, pela psicóloga Iara Ilvaberg (Carla Camurati), também militante da VPR. Em 1970, lidera o sequestro do embaixador suíço no Rio de Janeiro, Giovani Bucher, que resultou na libertação de 70 presos políticos. Um ano depois, é acuado pela polícia. Com a luta armada perdida, seus companheiros propõem que ele fuja do País. Mesmo sem saída, Lamarca e Iara decidem ficar. Juntos, fogem para a Bahia com o sonho de criar um improvável foco de guerrilha rural. Durante um cerco policial, Iara se suicida. Perseguido, o guerrilheiro foge para o sertão baiano. Sem horizontes, prisioneiro da árida imensidão da caatinga, morre metralhado por uma patrulha do Exército.




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