HISTÓRIA II
Livro narra luta do guerrilheiro
por AYRTON MACIEL
Especial para o
JC
Uma vida agitada, uma morte surpreendente. O relato
da emboscada a Carlos Marighella, contada no livro "Carlos
Marighella - O Inimigo Número Um da Ditadura Militar", do ex-preso
político e jornalista radicado na Bahia, Emiliano José, revela que a
`repressão' utilizou 29 policiais na operação, executada na alameda
Casa Branca, em São Paulo, sob o comando do delegado Sérgio Paranhos
Fleury. Marighella não teve chance nem de abrir a capanga para sacar
o revólver, mas a disputa pelo mérito de ter eliminado o notório
comunista era tão grande que, em meio à fuzilaria, acabou atingida e
morta uma investigadora e um delegado levou uma bala na
coxa.
Carlos Marighella ingressou no PCB (então, PCdoB) no
início dos anos 30 e dedicou sua vida às tarefas do partido. Preso
em 1932, em Salvador, onde nasceu, novamente encarcerado em 1936 -
no Rio de Janeiro - e mandado para a ilha de Fernando de Noronha em
1939, Marighella - narra Emiliano José - sempre seguiu
disciplinadamente as orientações do Partidão. Em maio de 1964,
perseguido pela polícia política, refugia-se em um cinema no centro
do Rio de Janeiro e, ao ser localizado, reage à voz de prisão, é
baleado no peito, mas continua a lutar, até receber uma coronhada na
cabeça. Já tinha em mente a idéia de promover a luta
armada.
Em 66, decepcionado com o que considera de
"inexistência de reação ao golpe militar e conformismo do PCB",
deixa o Partidão. Inspirado na Revolução Cubana, cria a Ação
Libertadora Nacional (ALN), mas começa pela guerrilha urbana. Em 4
de novembro de 1969, apreensivo com as informações sobre as prisões
de militantes do Grupo Tático Armado (GTA), que deveria ser a futura
coluna guerrilheira rural da ALN, vai ao encontro dos dominicanos
frei Yves Lesbaupin e frei Fernando de Brito, que participavam da
base de apoio católico ao movimento. Os dois religiosos - presos e
torturados - são forçados a marcar o encontro, sob o pretexto de
passar notícias das `perdas'. É uma emboscada. "Marighella não
deveria ser preso. Para a ditadura, ele encarcerado poderia se
tornar um símbolo maior do que em liberdade", afirma o jornalista
Emiliano José.
O livro "Carlos Marighella - O Inimigo Número Um
da Ditadura Militar" foi lançado pela Editora Casa
Amarela.
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