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COMBATE POLÍTICO ATRAVÉS DA IMPRENSA

Nota do autor

Numa Comunicação apresentada à Feira do Livro de Frankfurt, Alemanha, em setembro de 1976, Eduardo Galeano afirmava que a gente escreve “a partir de uma necessidade de comunicação e comunhão com os demais, para denunciar o que dói e compartilhar o que dá alegria. A gente escreve, na realidade, para aqueles com cuja sorte, ou má-sorte, a gente se sente identificado, os mal-comidos, os mal-dormidos, os rebeldes e os humilhados dessa terra”.

A ficção da imparcialidade do texto jornalístico de há muito foi desmascarada, embora continuamente se pretenda apresentá-la como realidade nos noticiários pasteurizados dos grandes meios de comunicação. Nunca me canso de proclamar que sempre se escreve a partir de um ponto de vista determinado, marcado sempre pela defesa dos interesses de uma ou mais classes sociais – dominantes ou subalternas.

Quando me iniciei na vida profissional de jornalismo, intrigava-me essa incapacidade do texto jornalístico em apreender as causas que cercam os fenômenos, embora a organização do discurso, em torno do fenômeno, expresse inevitavelmente um ponto de vista. Sentia a falta que faz o texto que ao mesmo tempo informe, analise e interprete os acontecimentos – que consiga repô-los sob uma ótica histórico-social.

Este é o desafio por mim proposto e enfrentado no decorrer dos anos em que escrevi os artigos aqui coligidos, publicados principalmente pela Tribuna da Bahia, um ousado diário que completou recentemente duas décadas de existência. Os textos, é preciso dizê-lo, têm a marca do momento, são envolvidos pelas paixões que as circunstâncias impõem. Mas carregam a preocupação de analisar e interpretar somente depois de pesquisar, e sempre procurando situar o acontecimento no seu contexto histórico.

Os artigos indagam do socialismo e sua relação com a democracia, vista aqui como valor universal, e não apenas como mero instrumento tático, à moda stalinista. Identificam uma história nacional marcada pelo autoritarismo, pelo permanente privilégio das classes dominantes e conseqüente exclusão das dominadas, indicando sempre que a única possibilidade de afirmação de um projeto nacional dos “de baixo” será decorrente da participação política efetiva deles, nunca da benevolência do Príncipe.

Ao abordar o Brasil moderno, os artigos fazem referência ao papel das empresas estatais na edificação do parque produtivo nacional e defendem a existência delas, desde que subordinadas a um estado democrático, oxigenado pela presença da sociedade civil organizada. Criticam o modelo subserviente ao capital internacional e insistem no princípio da soberania. Constatam ainda uma profunda defasagem tecnológica entre o Brasil e os países desenvolvidos, defendendo a necessidade de ingressarmos no terceiro milênio em condições de competir com países que se reciclam rapidamente, como as nações européias do Ocidente e o Japão.

A reforma agrária é preocupação permanente, como saída econômica e alternativa à sobrevivência de milhões de trabalhadores sem terra. Meus textos saúdam a Nova República como um momento importante da transição para a democracia e assumem um enfoque crítico à medida que, progressivamente, logo após o Plano Cruzado I, ela reincorpora as políticas do regime autoritário. Comemoram, igualmente, as liberdades políticas conquistadas, ressaltando com insistência a necessidade de se consolidar instituições democráticas, única forma de as classes dominadas poderem efetivar seus projetos para a Nação.

Os artigos ressaltam que a dívida externa é impagável e reafirmam a necessidade de o país lutar pela integração da América Latina. A luta pela libertação do Continente latino-americano é uma constante, com destaque para a Nicarágua e Chile.

Acredito que é necessário prosseguir na luta para que o jornalismo seja os olhos críticos da nação, mesmo que as dificuldades sejam enormes. O repórter continua a ter importância fundamental na produção dessa mercadoria chamada notícia, e que será sempre perpassada pela visão de mundo que ele tenha – dessa realidade os proprietários das empresas de comunicação não podem fugir; dessa responsabilidade os jornalistas, esses aventureiros do cotidiano não podem abrir mão.

Devo ao final insistir numa obviedade: os meios de comunicação não têm o poder absoluto que imaginam ter. Essa consciência é fundamental para que não subestimemos o papel deles. Há sempre que se considerar a reação das massas que, pelas mais variadas formas, podem fazer valer sua vontade.

Até por isso, nós jornalistas, temos que – para que não sejamos surpreendidos pelos fatos, tão aparentemente valorizados pelos que cultuam a “objetividade” – ouvir os clamores do povo, ter sensibilidade para quilo que, para além das aparências, corre nas camadas subalternas. Nós, que lidamos com a comunicação social, não podemos nos conformar com essa espécie de apartheid a que condenaram os humilhados e ofendidos deste Paíssob pena de sermos um dia tragados pelas lavas do vulcão submerso.

"Para José Borba Pedreira Lapa, impressionante exemplo de dignidade

Este livro não teria sido possível sem o apoio entusiasmado dos amigos Guilherme Vasconcelos, Joaci Góes, Oldack Miranda, Sidney Rezende e Walter Pinheiro."

Emiliano José
Outubro/1989

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"Emiliano pertence ao grupo de jornalistas politicamente engajados"

Por um estado democrático

Parte II

O grito do campo

A participação política

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