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COMBATE POLÍTICO ATRAVÉS DA IMPRENSA

Parte VII – Nuestra América Latina

A palavra assassinada no Chile de Pinochet

No dia 7 de setembro de 1986, a televisão chilena suspendeu sua programação normal para anunciar que o general Augusto Pinochet havia sofrido um atentado. O ditador escapou ileso, mas cinco seguranças morreram. Na madrugada seguinte, numa clara retaliação, foram mortos quatro opositores do regime chileno – Felipe Rivera, Abraham Muskatblie, Gaston Vidaurázaga e o jornalista José Carrasco Papia, também conhecido como Pepe Carrasco, todos acusados de ligações com o Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) ou com o Partido Comunista do Chile.

Neste mesmo ano de 1986, os meios de comunicação chileno sofreram 145 agressões, desde a suspensão de atividades pela censura até prisões ou arrombamentos. A morte de Pepe Carrasco, que exercia o cargo de editor internacional da revista Análisis, levantou uma onda de protestos dos jornalistas e evidenciou mais uma vez o caráter da ditadura chilena.

Numa declaração pública datada de 3 de março de 1986, antes da morte de Carrasco, portanto, as revistas Análisis, Apsi, Cauce e Hoy e os diários Fortín Mapocho e La Época lembravam que o diretor de Análisis, Juan Pablo Cárdenas, já havia cumprido sete meses de reclusão noturna. A condenação de Cárdenas representava para os jornalistas o reflexo mais fiel das difíceis circunstâncias em que se desenvolvia o trabalho da imprensa naquele país e uma demonstração da falta efetiva de liberdade de expressão.

Na mesma declaração, os signatários colocam sua preocupação com a situação de um crescente número de jornalistas “que estão submetidos a processos, a maioria dos quais através da Justiça Militar”. Acentuam “que não é possível que tribunais castrenses submetam a juízo profissionais de imprensa que simplesmente cumpriram com seu dever ético de informar, orientar e, quando é o caso, opinar”.

Para os jornalistas, tal procedimento “mais parece um exercício de repressão do que uma forma de justiça”. Manifestam ainda a preocupação com a demora nas investigações em torno do assassinato do jornalista José Carrasco, até hoje sem solução. Lembram que o Colégio de Jornalistas da Associação Nacional de Imprensa e a Associação de Radiodifusores do Chile têm protestado constantemente contra os múltiplos fatores que entorpecem o real exercício da liberdade de expressão e pedem a derrogação das leis restritivas.

Os jornalistas têm procurado protestar das mais variadas maneiras contra o clima de terror imposto à imprensa pela ditadura de Pinochet. Uma delas são as rápidas paralisações de atividades, como a de 8 de junho deste ano, durante 10 minutos, liderada pelo Colégio de Jornalistas. Desde o dia 12 de abril de 1988, quando da primeira paralisação, várias arbitrariedades foram cometidas contra os jornalistas.

O diretor de Análisis, Juan Pablo Cárdenas, já submetido à reclusão noturna, foi detido por cinco dias. Da mesma revista foram presos o subdiretor Fernando Paulsen e o redator Ivan Badilla, além do secretário-geral do Conselho Nacional do Colégio de Jornalistas, Guilhermo Torres, e do diretor de Fortín Mapocho, Alberto Gamboa. Atualmente, 40 profissionais de imprensa se encontram sob processo como decorrência do simples exercício da profissão.

A Sociedade Interamericana de Imprensa – SIP – já manifestou, no início do ano passado, sua preocupação com a situação de imprensa no Chile. Um informe sobre a liberdade de expressão elaborado por uma Comissão Especial que visitou o Chile no início de 1987 afirma que existe apreensão com o cerceamento da liberdade de imprensa naquele país. A visita da Comissão especial, segundo seu presidente Miguel Henrique Sotero, foi apressada pelo assassinato de José Carrasco e pelo fechamento de algumas revistas e das agências internacionais Ansa e Reuter.

Num documento elaborado em abril de 1986 pela Assembléia da Civilidade, que unificou as oposições da Esquerda Unida, os jornalistas apresentam suas principais reivindicações, entre as quais o fim de todas as disposições que entorpecem, restringem e impossibilitam o amplo exercício da liberdade de expressão, em especial a derrogação do artigo 24 da Constituição, que impede a fundação, edição e circulação de novos meios de comunicação. Exigem ainda o livre acesso às fontes de informação e um desempenho profissional sem censura nem auto-censura, além da devolução a seus legítimos donos dos meios de comunicação expropriados em 11 de setembro de 1973. Insistem no esclarecimento dos desaparecimentos e assassinatos de jornalistas e reivindicam o acesso dos jornalistas à propriedade dos meios de comunicação por meio de créditos estatais de fomento, similares àqueles concedidos a outros setores.

A ditadura do general Pinochet já assassinou sete jornalistas e provocou o exílio de outros 32. O presidente do Colégio de Periodistas, Jaime Morales, declarou recentemente que o “regime tem nos tratado como inimigo armado, declarando-nos guerra”. E a importância da liberdade de imprensa cresce com a proximidade do plebiscito que se realizará no dia de outubro.

Tribuna da Bahia – 10.09.1988

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