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Homenagem a Neguinho do Samba
O deputado Emiliano José (PT-BA) registrou na Câmara Federal (dia 3/11) a morte de Neguinho do Samba, criador do samba-reggae na Bahia. O sambista Antônio Luiz Alves de Souza morreu aos 54 anos, em Salvador, no dia 31, e deixou uma marca cultural na Bahia e no Brasil.
“O genial criador do samba-reggae vai iluminar outros lugares ao tempo em que mantém aqui sua luz estelar. Deixa sete filhos, alunos, seguidores, admiradores. Deixa a Bahia triste. Serenamente triste. E serenamente porque os tambores do Olodum, que lhe deu régua e compasso, e a quem ele também deu régua e compasso, continuarão a encantar as ruas de Salvador, a encantar o mundo”, disse o deputado. Emiliano salientou que foi esse encantamento que ele provocou quando fez Michael Jackson mover seu “corpo mágico” com They Dont Care About Us no Pelourinho. “Foi o maestro Neguinho do Samba que regeu a banda do Olodum quando o rei do pop se balançou e estremeceu o mundo com sua presença na Cidade da Bahia. A antropóloga Goli Guerreiro, em artigo para o jornal A Tarde, diz, com razão, que desde os anos 80 a música baiana esteve ligada ao nome de Neguinho do Samba, ao seu ouvido, aos seus gestos, à sua batuta. Era o maestro do povo negro da Bahia”.
Inventar o samba-reggae, segundo o deputado, foi a grande façanha do sambista, um estilo percussivo único que se caracteriza pela recriação de sonoridades afro-americana-jamaicanas e que se tornou a marca essencial dos blocos afros da Bahia. “Uma de suas maiores contribuições foi quase inaugurar a presença das mulheres no mundo da percussão. A Banda Didá sabe disso”. Emiliano destacou artigo de Jorge Portugal publicado no jornal A Tarde, que diz que o samba-reggae, a batida do Ilê, do Malê, do Muzenza, naturalmente do Olodum, “serão sempre matrizes fundamentais de nossa criação, de nossa cultura, de nossa poesia”. “Desde o nascimento do Ilê Ayiê, em 1974, que o movimento negro, sempre ancorado numa extraordinária capacidade criativa, se afirmou. Os negros passaram a ter orgulho de mostrar a cara, de afirmar sua negritude, inclusive sua religião, o candomblé”.
O Parlamentar concluiu: “Ao homenageá-lo, no dia em que ele está sendo enterrado na Cidade da Bahia, tomo emprestado imagem do poeta Manoel de Barros: ‘Neguinho do Samba, a essa altura, está sorridente, batuta de Maestro à mão, a quinze metros do arco-íris, onde o sol é cheiroso. Na multicolorida região do arco-íris, o maestro negro, Neguinho do Samba, sempre será a fonte, sempre será nosso rei, como diz Jorge Portugal’. A poesia da Bahia, a cultura da Bahia, o samba-reggae da Bahia terá em Neguinho do Samba uma memória perene. Dessa água, beberemos sempre”. Leia o discurso na íntegra
04/11/2009
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