O site Diários da Didatura – www.diariosdaditadura.com.br -, excelente trabalho de três estudantes da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FTC), para conclusão do curso de Jornalismo, conta as histórias de vida de três personagens que lutaram contra a ditadura militar: Emiliano José, ex-líder estudantil, hoje deputado estadual pelo PT baiano; Carlos Sarno, líder estudantil da década de 60, hoje publicitário renomado, e Luzia Ribeiro, ex-guerrilheira do Araguaia, hoje bancária aposentada. As estudantes Carla Menezes, Isabela Rocha e Patrícia Rebouças, no moderno e substancioso site, além das biografias dos militantes anti-ditadura, incluem áudios, vídeos, documentos e arquivos da ditadura, fotos e muitas informações sobre o ciclo militar.
Sobre a vida do deputado, jornalista e ex-líder estudantil da década de 60, Emiliano José, o site vai fundo: conta sua infância no campo, sua luta para estudar, o primeiro emprego, atividades estudantis, dedicação à luta de resistência à ditadura, a clandestinidade, prisão, torturas, a carreira no jornalismo até a militância político-parlamentar. Também documentam a atividade política e intelectual de Carlos Sarno como estudante, militante clandestino, a prisão e as torturas. De Luzia Ribeiro, sobrevivente da Guerrilha do Araguaia, o site relata sua dramática história, e publica uma inédita crítica ao livro Operação Araguaia – Os Arquivos Secretos da Guerrilha, dos jornalistas Taís Morais e Eumano Silva.
Sobre o mesmo assunto leia matéria do Jornal A Tarde:
27/07/2005
Educação
Estudantes criam site sobre a ditadura militar
Página descreve a trajetória política de três brasileiros na época da repressão
Regina de Sá
"Eles nos levavam para uma sala de tortura, na maioria das vezes no meio da noite. Fui espancada várias vezes, arrancada de minha cela durante a madrugada para acareações e interrogatórios violentos, onde ameaçavam mutilar meu corpo com uma palmatória pregada com parafusos imensos".
Mesmo passados tantos anos, Luzia Ribeiro não esquece o que viveu. Quando jovem, no final dos anos 60, foi torturada e viu muitos morrerem nas celas ou fuzilados. Depoimentos emocionantes como este estão reunidos no site Diários da Ditadura (www.diariosdaditadura.com.br), página recentemente publicada na web e que tem como objetivo resgatar a história de três pessoas que viveram, na Bahia, um dos períodos mais violentos da história do Brasil: a ditadura militar.
As jornalistas Isabela Rocha, 22, Carla Menezes, 23, e Patrícia Rebouças, 35, passaram seis meses colhendo informações e dados que pudessem complementar a trajetória, entre as décadas de 60 e 70, do ex-líder estudantil e hoje publicitário Carlos Sarno, do deputado estadual Emiliano José, que, em 1968, participou do seu primeiro movimento estudantil, em São Paulo, e a ex-guerrilheira do Araguaia Luzia Ribeiro, hoje uma bancária aposentada.
O que era para ser um trabalho de conclusão de curso para a Faculdade de Ciências e Tecnologia (FTC) acabou se transformando em um levantamento histórico de primeira, com dados relevantes sobre três pessoas que participaram ativamente do processo político por que passava o Brasil.
Agora, os personagens daquele período voltam à cena. As estudantes contam que, para voltar no tempo e colher as informações dos personagens, por diversas vezes tiveram de segurar a emoção. "Dentre todos os sentimentos, o processo mais doloroso nas recordações dos entrevistados foi a tortura", comenta Patrícia.
27/07/2005
Educação
Página oferece bibliografia e links sobre a época
Os visitantes irão se debruçar em um trabalho de pesquisa de época que mapeia os principais acontecimentos que marcaram a vida dos três personagens-chave do site, com depoimentos e links que remetem aos acontecimentos vividos por eles. O site sugere ainda uma bibliografia sobre o período da ditadura e canais online de pesquisa.
Além de depoimentos, artigos e entrevistas, o site apresenta um interessante material em áudio e vídeo, onde os personagens narram os momentos difíceis que passaram nas prisões, no exílio e em manifestações de rua. O visitante encontra também fotos da época e farto material que documenta os fatos vividos por Sarno, Luzia e Emiliano.
O mais marcante na pesquisa, afirma Patrícia, que também é sobrinha de Luzia, foi ter a oportunidade de manusear documentos, cartas e fotos da época, e reviver, junto com os entrevistados, os momentos de horror que passaram logo quando foram presos. E, para dividir com o internauta a emoção de elaborar o site, as estudantes apresentam, no link Documentos, cartas, relatórios e mandado de prisão escaneados.
No link Reportagens da Época, as jornalistas selecionaram algumas publicações de jornais do período, e, no link Galeria de fotos, o visitante tem acesso a algumas imagens do álbum pessoal dos envolvidos, fotos de guerrilheiros mortos no Araguaia, dentre outras relíquias históricas.
Para complementar o trabalho de pesquisa, há, ainda, uma seleção de links que remetem ao período, desde artigos e páginas que explicam o que foi a guerrilha do Araguaia, quem eram os presidentes que governavam durante o período da ditadura, informações sobre o movimento estudantil que atuava na época, dentre outras fontes de consulta.
Além disso, as estudantes colheram dados sobre os presos políticos que estiveram detidos na Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador, bem como um glossário com os termos políticos de então.
O site Diários da Ditadura é um bem-elaborado documento virtual que apresenta um rico material de pesquisa, principalmente para os jovens, sobre a ditadura militar, período que ficou, durante muito tempo, fora dos livros de História (RS).